Economista vê em relatório do BC Selic a 7,5% este ano

O Relatório Trimestral de Inflação referente ao segundo trimestre, de acordo com leitura feita pelo economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luís Otávio de Souza Leal, indica que o Banco Central pode não ter espaço para cortar a taxa básica de juros abaixo do nível de 7,5% ao ano - hoje a Selic está em 8,5% ao ano. "Para mim, a grande pergunta que o BC deve estar se fazendo é: ''até quando posso baixar juros sem me preocupar com a inflação?''", diz o economista.

FRANCISCO CARLOS DE ASSIS, Agencia Estado

28 de junho de 2012 | 12h03

Neste aspecto, de acordo com Souza Leal, o mais interessante no relatório divulgado nesta quinta-feira é ler o que o BC escreveu mais do ponto de vista qualitativo do que quantitativo. Isso porque a redução da projeção de crescimento do PIB para 2,5% neste ano, dos 3,5% previstos no relatório do primeiro trimestre, divulgado em março, já era uma coisa amplamente esperada pelo mercado.

Mas, do ponto de vista das qualificações do BC no documento, observa Souza Leal, é importante observar o que a autoridade monetária fala sobre o cenário econômico mundial e seus impactos sobre a atividade econômica doméstica. "E aí a gente vê que o BC não está imune às mesmas incertezas que o mercado tem", afirma o chefe do Departamento Econômico do ABC Brasil.

Indicativo desta incerteza, na opinião de Souza Leal, é a preocupação do BC em salientar dois pontos no Relatório de Inflação. O primeiro é a defasagem da política monetária sobre a atividade e o segundo, a confiança do empresariado. "O fato de o BC colocar nas suas considerações o imponderável, que é o impacto do cenário externo sobre a atividade econômica doméstica, embota a confiança que ele próprio tem na sua política monetária", diz Souza Leal.

O ciclo de corte de juros, avalia o economista, deverá ser mantido. "Mas acho muito difícil a Selic ir para um nível inferior a 7,5% ao ano", afirma. "E, se for, o BC poderá pôr a perder uma bala que poderia usar lá na frente, caso o cenário externo venha a piorar."

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