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Economistas acham que é cedo para alterar IR

A decisão do Ministério da Fazenda de não reduzir prontamente a tributação dos fundos de investimento não deverá impedir o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) de baixar a taxa básica de juros (Selic) em sua próxima reunião, dias 9 e 10 de junho, segundo avaliação de três economistas consultados pela Agência Estado. Para eles, isso será necessário se o BC promover uma flexibilização mais forte da Selic. Nos últimos dias, o ministério deixou claro que não tem pressa para editar a medida provisória (MP) sobre o tema, a despeito de o BC ter avisado, na ata da última reunião do Copom, que a decisão era premente. Visivelmente, o ministério não quer usar o artifício, que causa renúncia fiscal, antes de ser estritamente necessário. O ministro Guido Mantega já disse que não faz sentido reduzir a taxação dos fundos sem haver migração em massa para a poupança. Para a Fazenda, essa incerteza sobre o momento da mudança contribui, por exemplo, para os fundos reduzirem as taxas de administração, cujos níveis elevados também são alvo de preocupação. Já o BC, que chamou a atenção para o problema da poupança e decide os rumos do juro, optou pelo silêncio."A gente acha que tem espaço para a Selic cair até 9,25% sem mexer na tributação. Nesse nível ainda se consegue ter equilíbrio entre os fundos e a poupança. Só teria problemas para fundos com taxa de administração mais alta", disse a economista-chefe da Rosenberg e Associados, Thaís Zara. Ela acredita que o governo vai esperar pelo menos o próximo Copom para avaliar o momento de editar a MP.O estrategista-chefe do Banco WestLB, Roberto Padovani, também não vê necessidade de edição imediata dessa MP. Para ele, embora o BC tenha se preocupado com o tema da poupança, essa situação não deve limitar a condução da política monetária no curto prazo. ''Tecnicamente já se tem o desenho do que se vai fazer. É uma coisa temporária, mas era o que eles (do BC) queriam", afirmou Padovani, que aposta em corte de 1 ponto porcentual na Selic em no dia 10 de junho. Na visão do economista, se fosse para ter migração por conta da queda da Selic no próximo Copom, esse movimento já deveria estar ocorrendo, pois o mercado já embutiu nos juros futuros novos cortes, o que impacta a rentabilidade dos fundos. "Se não está havendo enxurrada de recursos para a poupança agora, não será no dia do Copom que isso vai ocorrer. São os juros futuros que movem o aplicador", afirmou Padovani.O economista-chefe da SLW Asset Management, Carlos Thadeu Filho, afirmou que a ausência da MP reduzindo o IR dos fundos não constrange a política monetária. "Essa é uma discussão mais para frente. Para essa decisão de junho e para a próxima (22 de julho), que devem ter dois cortes de 0,5 ponto porcentual, ela ainda não é relevante. Mas, para a Selic cair abaixo de 9,25%, a MP é necessária para se viabilizar o movimento", afirmou. "A Selic abaixo de 9,25% não é o cenário básico, mas, dependendo da conjuntura, pode acontecer'', acrescentou Thadeu Filho.

Fabio Graner, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

20 de maio de 2009 | 00h00

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