Economistas ainda preveem 0,75 ponto

De 64 especialistas consultados em pesquisa, 56 acreditam que Copom elevará a taxa Selic para 11% ao ano na reunião de hoje

Flavio Leonel, Marcílio Souza, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2010 | 00h00

Entre economistas, o que era um consenso esmagador em torno de uma previsão de alta da taxa básica de juros (Selic) em 0,75 ponto porcentual na reunião de hoje do Comitê de Política Monetária (Copom), ganhou uma ponta de dúvida. Parte deles já considera a possibilidade de um ajuste menor, de 0,50 ponto porcentual.

Essa é a análise que pode ser feita do novo levantamento que o serviço AE Projeções, da Agência Estado, realizou ontem com economistas do mercado financeiro sobre a decisão do Copom.

Conforme sondagem feita com as mesmas 64 instituições que participaram da pesquisa divulgada no AE News na quinta-feira passada, aumentou, de um para oito, o número de casas que esperam a elevação da Selic dos atuais 10,25% para 10,75%; as demais 56 ainda trabalham com a expectativa de um ajuste de 0,75 ponto, para 11% ao ano.

Em geral, os economistas são mais constantes em suas projeções do que os operadores de mercado. É isso que explica a explícita divergência entre suas opiniões e as posições do mercado futuro no fechamento de ontem na BMF&Bovespa.

Confiantes na queda da inflação e mais tranquilas com o desaquecimento da economia, as mesas do mercado de juros já haviam quebrado o consenso na quinta-feira passada e mostravam menos conservadorismo que os analistas.

Desde segunda-feira, com a informação de que o Bradesco havia reduzido sua previsão de alta de 0,75 ponto para 0,50 ponto, criou-se uma expectativa de que poderia haver alguma modificação no cenário de outras casas.

Ontem, com o anúncio de uma deflação de 0,09% para o IPCA-15 de julho, um resultado ainda melhor que o aguardado pelo mercado financeiro, outras instituições optaram pela migração para um cenário menos austero por parte do Banco Central.

A corrente ainda majoritária dos economistas continua com argumentos que chamam a atenção para o fato de a economia, apesar de menos aquecida, estar rodando acima do potencial. Eles destacam que é cedo para comemorar o recuo da inflação, já que as quedas recentes estão amparadas pelo recuo do grupo Alimentação, sujeito a mudanças radicais em pouco tempo.

Em meio às dúvidas que pairam sobre o mercado, algumas casas chegaram a pedir que não participassem do levantamento do AE Projeções. Diante da informação que se transformariam no grupo minoritário dos "sem-projeção", optaram pela permanência na corrente da expectativa para ajustes de 0,75 ponto.

Sinalizações. O economista-chefe da Prosper Corretora, Eduardo Velho, decidiu manter sua projeção de alta de 0,75 ponto. "Mantemos a avaliação do nosso cenário de que a taxa deveria (e deverá) subir de 10,25% para 11% em julho, ratificando as sinalizações dos últimos comunicados do BC."

Ele reconheceu, porém, que o mercado talvez tenha superestimado as projeções para a inflação, e, por isso, os índices estão surpreendendo para baixo. "De uma maneira geral, o mercado estimava um IPCA rodando entre 0,2% e 0,3% em meados do mês passado. Entretanto, a coleta de preços aponta oscilação entre estabilidade e pequena deflação."

O economista-chefe do Banco Schahin, Silvio Campos Neto, passou para alta de 0,50 ponto. "O discurso da ata e do Relatório de Inflação foram muito duros, de modo que alterar o ritmo neste momento poderia parecer incoerente com o cenário traçado pelo próprio BC" disse.

"De outro lado, a evolução recente dos indicadores sugere ajuste menor (de 0,50 ponto), o que daria tranquilidade ao BC para acompanhar os dados até setembro, podendo tomar qualquer decisão na reunião, até mesmo interrupção do ciclo."

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