Marcello Casal Jr/Agência Brasil - 30/09/2019
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Economistas alertam BC para inflação mais alta do que o esperado este ano

Em encontro com o Banco Central nesta quinta-feira, economistas do mercado financeiro afirmaram que o IPCA pode ficar acima de 6% 

Cícero Cotrim e Marianna Gualter, O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2022 | 19h57

A preocupação com a inflação em 2022 foi o tema central de duas reuniões do Banco Central (BC) com economistas do mercado financeiro nesta quinta-feira, 17. Diante a alta de preços de matérias-primas – principalmente o petróleo – e dos riscos geopolíticos neste início de ano, os analistas presentes nas reuniões falaram ao BC que há risco de a inflação medida pelo IPCA superar a marca de 6% este ano. 

Sob a condição de anonimato, economistas que participaram de um dos encontros relataram ao Estadão/Broadcast que as estimativas apresentadas pela maior parte das instituições já situam o IPCA de 2022 entre 5,50% e 6,0%. Para 2023, a estimativa é de uma inflação de 4%. E o centro da meta perseguida pelo BC, de 3,25%, se tornou o piso das projeções. 

O risco fiscal, que também foi um tema ressaltado na ata da última reunião do Copom, também foi outro ponto levantado pelos economistas, por causa da incerteza da política econômica do próximo governo e propostas como a PEC dos Combustíveis, em discussão no Congresso, que podem elevar as despesas do governo. Essas perspectivas, segundo uma fonte, contribuem para o aumento das projeções de inflação do ano que vem.

Para um economista presente no encontro, a inflação não vai ser tão baixa quanto se esperava no fim de 2021 e grande parte dos analistas está ajustando o seu cenário de inflação para pior este ano.

Para alguns economistas presentes no encontro, o ciclo de aperto monetário conduzido pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) pode ajudar a levar o IPCA para a meta em 2023, reduzindo os preços de commodities. Outros analistas afirmaram que, mesmo com a alta de juros nos EUA, os reajustes de preços no setor de  serviços ainda pode sustentar inflação elevada no ano que vem.

A trajetória do câmbio também surgiu como um fator de incerteza nas discussões. A queda do preço do dólar é um dos fatores principais para a redução da inflação no ano que vem, de acordo com os participantes da reunião.

As reuniões trimestrais do BC com economistas do mercado financeiro são usadas pela autoridade monetária para coletar percepções e informações sobre atividade, inflação e o cenário externo para ajudar na confecção do Relatório Trimestral de Inflação (RTI). O próximo documento será divulgado em 24 de março.

Pelo BC, participou da reunião a diretora de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos, Fernanda Guardado, que acumula interinamente a diretoria de Política Econômica.

Apesar dos riscos e da inflação mais elevadas, os economistas avaliam que a taxa de juros básica, a Selic, deve atingir o pico, em um nível entre 12,25% e 12,75%, em maio ou junho deste ano. Para o ano que vem, as projeções apresentadas para a Selic oscilaram entre 7,5% e 9,5%. 

Neste cenário, os economistas que se manifestaram no encontro apresentaram estimativas de Produto Interno Bruto (PIB) entre queda de 0,7% e alta de 0,5% em 2022, seguido por um crescimento provavelmente não muito acima de 1,0% em 2023.

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