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Economistas apontam queda de até 3,5% no PIB no primeiro trimestre

Projeções de bancos e consultorias vão de 1,2% a 3,5% de recuo em relação ao mesmo período do ano passado; se o número mais pessimista se confirmar, será a maior queda desde o primeiro trimestre de 1992, no governo de Fernando Collor de Mello

Luiz Guilherme Gerbelli, Márcia De Chiara, O Estado de S. Paulo

18 de abril de 2015 | 22h00

As previsões econômicas para o primeiro trimestre indicam que o desempenho da economia brasileira foi muito pior do que o esperado. A rápida deterioração dos indicadores econômicos pode ter levado o Produto Interno Bruto (PIB) - soma de todas as riquezas produzidas no País - a ter a maior queda trimestral em duas décadas.

Nas projeções de bancos e consultorias, a economia deve ter uma retração de 1,2% a 3,5% entre janeiro e março na comparação com o mesmo período de 2014. Se o resultado mais pessimista for confirmado, será a mais brusca queda trimestral do PIB em bases anuais desde o primeiro trimestre de 1992. Naquela época, com o País envolvido nas denúncias de corrupção que tirariam do poder o presidente Fernando Collor de Mello, a economia brasileira encolheu 3,2% (ver quadro).

Na sexta-feira, 17, o diretor do Departamento de Hemisfério Ocidental do Fundo Monetário Internacional (FMI), Alejandro Werner, disse, em Washington, que o Brasil está passando pela mais séria desaceleração da economia desde o começo dos anos 90.

“Embora faltem alguns dados econômicos de março, todos os indicadores mostram um comportamento bastante negativo no primeiro trimestre”, afirma Alessandra Ribeiro, sócia da Tendências Consultoria Integrada. Ela estima uma retração de 3,5% no primeiro trimestre ante o mesmo período de 2014.

Há uma combinação perversa que tem levado a essa retração: a economia brasileira enfrenta um duro ajuste fiscal, a inflação está elevada - em abril, o IPCA-15 chegou a 8,22% em 12 meses, nível mais alto desde janeiro de 2004 -, o mercado de trabalho começou a dar sinais de piora, o investimento se tornou anêmico e o desempenho da indústria e dos serviços piorou. O que já era ruim foi agravado pelos desdobramentos da Operação Lava Jato, que investiga contratos da Petrobrás e levou grandes construtoras à recuperação judicial, agravando o cenário do emprego. 

“Os problemas da Petrobrás e de toda a cadeia da construção pesada dão um quadro dramático para a economia brasileira no primeiro trimestre”, diz Julio Gomes de Almeida, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda. Na avaliação dele, a economia pode ter recuado mais de 3% no primeiro trimestre. “Espera-se que o ajuste beneficie as expectativas lá na frente, mas ele deixa o crescimento ainda mais deprimido à medida que reduz o poder de compra da população com o aumento de impostos e promove o corte de gastos.” 

Serviços. O tamanho da piora econômica pode ser mensurado pelo setor de serviços. Em fevereiro, a receita nominal do setor cresceu apenas 0,8% na comparação com o mesmo mês de 2014, segundo o IBGE. Foi o menor avanço registrado desde o início da série histórica, em janeiro de 2012. “O encolhimento do setor de serviços é a grande novidade”, diz o diretor de Pesquisas da GO Associados, Fabio Silveira. Para o primeiro trimestre deste ano, ele projeta retração de 2,5% no PIB em relação a igual período de 2014.

O setor de serviços costumava ter uma inércia que atenuava a retração da atividade, mas agora não é possível contar com esse motor para retomar o crescimento da economia brasileira. 

“Além da desaceleração da indústria, estamos vendo na parte de serviços uma piora que não era comum no passado recente. O desempenho mais negativo ocorre tanto na parte de comércio como na de serviços ligados à indústria, transporte, e prestados à família”, diz Rodrigo Miyamoto, economista do Itaú. O banco projeta uma retração de 1,9% entre janeiro e março na comparação com o primeiro trimestre de 2014.

Na avaliação do diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, Octavio de Barros, o primeiro trimestre foi marcado por uma queda acentuada do consumo das famílias e uma forte retração dos investimentos, afetados pela construção civil e pela produção de bens de capital. Do lado da oferta, o PIB industrial deve mostrar estabilidade em relação ao trimestre anterior, enquanto o de setor de serviços deve seguir o comportamento do consumo das famílias, com queda de 1%. 

“Os dados recentes de atividade apontam para uma desaceleração profunda da economia brasileira nesse primeiro semestre”, diz Barros. Ele projeta queda do PIB de 2,1% no primeiro trimestre em relação a igual período de 2014. 

Futuro. A piora apurada no setor de serviços ampliou a expectativa de retração da economia e turvou o cenário para os próximos meses, segundo Thiago Biscuola, economista da RC Consultores - a consultoria prevê uma queda de 1,2% do PIB no primeiro trimestre. “O cenário deve piorar”, afirma

Barros acredita que a retração do primeiro trimestre deverá ser seguida por outra mais intensa no segundo trimestre, que, na projeção dele, deve marcar o pior momento do desempenho do PIB no ano. 

A avaliação de piora no quadro econômico no segundo trimestre é compartilhada por Silveira, da GO. “Será um primeiro semestre doloroso.”

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