Economistas apostam em alta mais forte da taxa Selic

Para especialistas em Londres, comunicado do BC sinaliza processo curto e concentrado de alta dos juros

Nalu Fernandes e Daniela Milanese, da Agência Estado,

17 de abril de 2008 | 11h20

A decisão do Banco Central (BC), que elevou na quarta-feira a taxa básica de juros, a Selic, em 0,50 ponto porcentual, para 11,75% ao ano, em um aperto monetário mais intenso do que o previsto, abre discussões entre especialistas sobre o tamanho e a duração do ciclo de novos ajustes. Economistas consultados pela reportagem em Londres avaliam que o comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC sinaliza um processo mais curto e concentrado, ao apontar que "a decisão de realizar, de imediato, parte relevante do movimento da taxa básica de juros irá contribuir para (...) reduzir a magnitude do ajuste total a ser implementado", explicitou o comunicado divulgado na quarta à noite, após o anúncio da decisão.   Veja também:  Em decisão unânime, Copom sobe taxa Selic para 11,75%  Professor do IBMEC-SP fala sobre impacto do juro maior para os investimentos   Compare a taxa básica da economia com os juros cobrados ao consumidor  Confira a evolução da Selic desde o início do governo Lula   Veja especial sobre a crise dos alimentos  Cronologia da crise financeira  Entenda a crise nos Estados Unidos     Para o economista do banco Dresdner Kleinwort, Neil Dougall, a Selic irá subir mais um ponto porcentual até o final do ano. Ele vê forte possibilidade de outro aumento de meio ponto porcentual na reunião de junho e, a partir daí, avalia que a dose pode ser repetida em julho. Outra possibilidade seria duas altas de 0,25 ponto porcentual em julho e setembro. Tudo irá depender dos próximos dados sobre inflação e atividade econômica.   Para o economista do Barclays Capital, Rodrigo Valdes, a Selic terá alta mais intensa até o final do ano, de 1,5 ponto porcentual. "Não faz muita diferença se as altas serão de 0,25 ou meio ponto porcentual, principalmente depois do comunicado", defende. "O que realmente importa é a trajetória total da política monetária."   Um economista que atua na Europa interpretou que, além de curto, o ciclo de aperto estará muito relacionado à evolução das projeções para a inflação no País. "É fundamental acompanhar a evolução das expectativas inflacionárias divulgadas na pesquisa Focus para determinar a dimensão do ciclo monetário", avalia.   Em Nova York, a elevação da Selic foi avaliada como um movimento preventivo para interferir no "desvio significativo" das projeções de inflação em relação ao centro da meta (4,5%), observa o diretor de pesquisa do RBC Capital Markets para mercados emergentes, Nick Chamie. O analista prevê que a Selic subirá dois pontos porcentuais neste ano.   O ciclo completo de alta, pondera Chamie, será composto de três elevações de 0,50 ponto porcentual, contando já a elevação de ontem, seguidas de duas altas de 0,25 ponto porcentual, fazendo com que a Selic atinja 13,25% ao ano na reunião do Copom de outubro.   A economista para América Latina do banco Bear Stearns, Emy Shayo, também avalia como factível alta de dois pontos porcentuais na Selic até o final do ano. "Os investidores deveriam esperar um ciclo (de aperto) entre um e dois pontos porcentuais", prevê.

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