Economistas argentinos criticam proposta de Anne Krueger

Não só o governo, mas também economistas argentinos ficaram assombrados com a declaração da vice-diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Anne Krueger, de que a Argentina deveria pagar as dívidas que tem com os organismos multilaterais de crédito com dinheiro das reservas internacionais, sob o risco de isolar-se totalmente da comunidade internacional. O dia foi de muita repercurssão entre os economistas sobre o que disse Krueger.O economista Jorge Ávila, do Centro de Estudos Macro-Econômicos (Cema) da Argentina, por exemplo, disse que ?se o país usar suas escassas reservas, será muito mal visto pelo resto dos credores". "Existem 350 mil credores italianos, que não receberiam nada, o mesmo com os credores internos, para privilegiar pagamentos ao BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) ou ao Bird (Banco Mundial), que não podem reprogramar. Não sei que gravidade ou que peso terá entrar em default liso e plano com o Banco Mundial, mas não seria equitativo deixar os italianos pendurados num pincel, enquanto se paga ao BID e o Banco Mundial?, afirmou.Neste sentido, Ávila lembrou que, dos pouco mais de US$ 9 bilhões de reservas do BC, US$ 4 bilhões são emprestados por estes organismos para engrossar as reservas. O economista alertou para o fato de que se as reservas forem usadas para pagamento de dívidas, ?a estabilidade do peso estaria seriamente debilitada, abrindo a possibilidade de uma disparada do dólar que levaria a uma hiperinflação, em meio de um processo eleitoral que começa e promete ser tão delicado e tão incerto?. Ele afirmou ser "totalmente ?desaconselhável seguir a sugestão de Anne Krueger?.?Perigoso?Outro que rejeita a proposta da vice-diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Anne Krueger, de que a Argentina pague as dívidas que tem com os organismos multilaterais com dinheiro das reservas internacionais, é o ex-presidente do Banco Central argentino, Mario Blejer. Segundo ele, "cair em default com os organismos internacionais é um problema muito sério, mas reduzir as reservas do Banco Central a um nível insustentável seria muito perigoso". "Não se deve fazê-lo", afirmou.Ex-funcionário do FMI por mais de 20 anos, Mário Blejer acredita que as declarações de Anne Krueger refletem "certa frustração do organismo sobre suas políticas para a Argentina". E seriam motivadas ainda pelo desejo de se chegar a "algum tipo de acordo". Segundo ele, "o interesse político dos grandes acionistas do Fundo é encontrar a forma para a Argentina não cair em default com os organismos".?Insustentável?O ex-vice-ministro de Economia da Argentina, Orlando Ferreres, também desqualificou a sugestão de Anne Krueger de que a Argentina pague as dívidas que tem com os organismos multilaterais com dinheiro das reservas internacionais. Ele também questionou as ameaças de Krueger de "castigar" o país se este chegar a entrar em default com o BID, Bird e o próprio FMI. Ferreres disse que a proposta é "insustentável". Mesmo porque, segundo ele, as reservas poderiam pagar apenas as dívidas apenas por alguns poucos meses - "talvez, somente até o final do ano, mas não até maio", época em que assumirá o novo presidente e com quem Krueger afirmou que poderia negociar um acordo mais amplo. O economista Oscar Liberman, da consultoria Fundação Mercado, acusou a número dois do FMI de "fazer pressão para que a Argentina pague e não seja excluída do Fundo". Segundo informações do Banco Central, as reservas internacionais do país passaram para US$ 9,45 bilhões no dia 16 de setembro (segunda-feira), de US$ 9,41 bilhões no dia 13 (sexta-feira passada).

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