Economistas cobram estratégia de saída da crise

Especialistas reunidos na 'Davos de Verão' temem surgimento de novas bolhas

Cláudia Trevisan, O Estadao de S.Paulo

12 de setembro de 2009 | 00h00

Enquanto governos de todo o mundo prometem manter as políticas de estímulo anunciadas no ano passado, economistas afirmam que chegou a hora de os países começarem a definir a estratégia de retirada desse respirador artificial, sob o risco de criação de novas bolhas, que levarão a crises ainda mais severas que a atual.

"Nunca houve um estímulo na dimensão do que vimos no ano passado e o corolário disso é que nunca antes houve a retirada desse estímulo na escala que vamos ver quando a recuperação começar a tomar forma", disse Stephen Roach, presidente do Morgan Stanley na Ásia, em painel sobre economia global na versão chinesa do Fórum Econômico Mundial, conhecida como "Davos de Verão", realizada na cidade de Dalian.

O cenário desenhado pela maioria dos participantes foi mais pessimista do que fariam supor os números que apontam reação nas principais economias, incluindo a americana. Para eles, a recuperação é frágil - ou insustentável - e os países ainda enfrentarão um longo período de instabilidade.

"Será um processo lento, trabalhoso e com grande volatilidade nos próximos anos", opinou Caio Koch-Weser, vice-presidente do Deutsche Bank, que já ocupou cargos de comando no Ministério das Finanças da Alemanha e no Banco Mundial.

A incerteza sobre o futuro da economia global foi evidenciada pelos temores opostos em relação ao comportamento dos preços. Koch-Weser declarou estar preocupado com o risco de inflação e ponderou que será difícil para os bancos centrais enfrentar três tarefas concomitantes: manter a estabilidade do sistema financeiro, garantir a recuperação da economia e evitar a inflação.

Talvez por vir do Japão, o professor Heizo Takenaka, da Universidade Keio, afirmou temer a deflação, em um cenário de persistente baixo crescimento econômico. Em sua opinião, a forte recuperação vista nos países asiáticos no segundo trimestre não é sustentável, e a crise na região terá uma evolução no formato de "W", com nova queda da atividade dentro de pouco tempo. Segundo ele, as nações industrializadas da Ásia não terão fôlego fiscal para manter as políticas de estímulo por muito tempo, e o grande desafio será executar estratégias de saída sem provocar uma recaída.

O mesmo vale para outras regiões, em especial os EUA. Zhu Min, vice-presidente do Bank of China, lembrou que US$ 9 trilhões foram injetados nas economias nacionais nos últimos meses - a mais agressiva política de estímulo já adotada por governos em tempos de paz, ressaltou o colunista do Financial Times Martin Wolf. Ele apresentou outro cenário no qual não há estratégia de saída. "A experiência do Japão mostra que a saída nunca acontece."

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