Economistas começam a elevar previsão de IPCA de maio

Os alimentos continuam exercendo aprincipal pressão sobre a inflação, de acordo com doisindicadores divulgados nesta quarta-feira. Em São Paulo, elestiveram a maior variação de alta desde 2003 e no IPCA-15responderam por metade da taxa geral. A perspectiva de que esse impacto não arrefecerá no curtoprazo e uma surpresa com as tarifas bancárias já levaram algunseconomistas a elevar a previsão para o Índice Nacional dePreços ao Consumidor Amplo (IPCA) do mês, de 0,60 para 0,63 porcento. No IPCA-15, considerado uma prévia do IPCA, os alimentosdiminuíram ligeiramente o ritmo de alta --para 1,26 por centoem maio ante 1,28 por cento em abril-- em razão da queda noscustos de pescados, aves e ovos, frutas e, ainda, cereais,leguminosas e oleaginosas. Mas produtos em entresafra, ou que reagem ao clima, e osque seguem as cotações internacionais de commoditiesmantiveram-se em forte alta, como carnes, farinhas,panificados, tubérculos, raízes e legumes, além de hortaliças everduras. Assim, a alta do grupo Alimentação foi responsável por 0,28ponto percentual da variação de 0,56 por cento do IPCA-15 demaio, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística(IBGE). "A pressão de alimento deve piorar no final do mês (IPCA demaio), porque não vemos arrefecimento de produtos importantescomo o arroz", afirmou Priscila Godoy, economista do ABN Amro,ao comentar a elevação do prognóstico para o IPCA do mês. "A alta dos alimentos vem principalmente dos tradables(comercializáveis)", que são os produtos que acompanham ocenário externo, em que as cotações das commodities seguemelevadas. Devem continuar acelerando também os preços dos alimentosin natura --que haviam caído recentemente-- e das carnes --quecostumam subir nesta época do ano. Gian Barbosa, economista da Tendências Consultoria, citouainda a forte alta, de 5,28 por cento, das tarifas de serviçosbancários, ao falar da revisão de sua estimativa. PANIFICADOS NO IPC-FIPE O outro indicador desta quarta-feira, o Índice de Preços aoConsumidor (IPC), superou a previsão do mercado. A elevação foide 1,08 por cento na terceira quadrissemana do mês, ante 0,89por cento na segunda, informou a Fundação Instituto dePesquisas Econômicas (Fipe). Economistas consultados pelaReuters previam taxa de 0,96 por cento. No dado da Fipe, os custos do grupo Alimentação avançaram2,61 por cento, frente à alta de 1,77 por cento na leituraanterior. Foi a maior variação desde a segunda quadrissemana dejaneiro de 2003. Apesar da surpresa negativa com o IPC-Fipe, o mercado dejuros futuros concentrou-se na desaceleração do IPCA e na quedados preços internacionais do petróleo e abriu em queda. A tendência, no entanto, continua sendo de alta antes dareunião da semana que vem do Comitê de Política Monetária(Copom). "O cenário preocupa. O comportamento do atacado preocupaainda. No curto prazo, a gente não deve ter uma desaceleraçãodos alimentos ou da inflação", afirmou Roberto Padovani,estrategista sênior de investimentos para a América Latina doWestLB do Brasil. Ele manteve o prognóstico para o IPCA de maioem 0,60 por cento, ante 0,55 por cento em abril. O IBGE divulga o IPCA de maio no dia 11 de junho.

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