Dida Sampaio/Estadão
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Economistas criticam Plano Pró-Brasil lançado sem presença de Guedes

Para Salto, projeto e seu anúncio estão fora do lugar; Ana Carla Abrão diz que é ‘superficial’ e ‘uma carta de intenção’

Redação, O Estado de S. Paulo

24 de abril de 2020 | 05h00

Diretor executivo da Instituição Fiscal Independente, o economista Felipe Salto disse ontem que o Plano Pró-Brasil, bem como seu anúncio, estão totalmente fora do lugar. O plano, que antes de seu batismo oficial estava sendo chamado de “Plano Marshall”, foi anunciado na quarta-feira sob o comando do ministro-chefe da Casa Civil, General Braga Neto, e sem a participação da equipe econômica. O mote do plano são medidas para a retomada da economia no pós-covid-19 que passam, inclusive, por investimentos em obras públicas.

Mas de acordo com Salto, uma coisa é a convicção de que são necessárias medidas para implementar a retomada do crescimento da economia depois da pandemia do coronavírus. Outra, completamente diferente, é fazer um anúncio desse em plena crise de saúde. “Vejo como um plano totalmente fora de lugar bem como seu anúncio. É um plano vazio. Não tem números e os números que têm aparecem apenas no discurso”, disse Salto. Para ele, o pior é que o anúncio do plano não contou com a presença da equipe econômica.

Para Ana Carla Abrão, ex-secretária da Fazenda de Goiás e head do escritório Oliver Wyman no Brasil, o plano “é superficial e inexequível, é uma carta de intenção”.

“Acho até difícil comentar um plano econômico que não tem a participação da equipe econômica. É o que venho falando desde o começo desta pandemia: o governo não consegue dar uma resposta à crise com todos os atores importantes à mesa”, disse a economista ao se referir à ausência do ministro da Economia, Paulo Guedes, no anúncio do plano.

“Não adianta fazer um ‘powerpoint’, falar que vai gastar R$ 500 bilhões e não dizer de onde virão os recursos, como serão financiados e que setores vão ser privatizados, quais são os motores da retomada”, criticou Ana Carla.

O economista-chefe para mercados emergentes da consultoria inglesa Capital Economics, William Jackson, avalia que, no curto prazo, o fato de Guedes ter sido deixado de lado, não terá maiores implicações, caso o governo consiga mais força para a atividade econômica. O risco maior seria se a retomada econômica viesse com menos apoio para a liberalização às reformas econômicas defendidas pelo ministro.

Para Jackson, considerando o tamanho do tombo que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deve sofrer este ano, o governo não deveria se furtar a elevar o gasto público, seja no investimento ou para dar apoio financeiro a famílias e setores. 

O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins, disse que ainda aguarda um detalhamento sobre o programa de estímulo à economia anunciado pelo governo federal, mas reforçou a expectativa de que o setor da construção seja incluído: “Pelo que foi falado no anúncio, não vi nada em profundidade. É preciso aguardar”, afirmou./FRANCISCO CARLOS DE ASSIS, CIRCE BONATELLI e ALTAMIRO SILVA JUNIOR

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