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Economistas defendem mais poupança pública

Redução do ritmo de crescimento dos gastos correntes do governo abrirá espaço ao consumo e investimentos

Fernando Dantas, O Estadao de S.Paulo

14 de junho de 2008 | 00h00

A solução apontada por muitos economistas para aumentar a poupança nacional e dar mais solidez e durabilidade a uma trajetória de crescimento rápido seria um controle da expansão dos gastos correntes do governo, com o aumento da poupança pública abrindo espaço para o investimento e o consumo do setor privado.Márcio Garcia, da PUC-Rio, acha que o Brasil está optando pelo caminho mais arriscado, mas não necessariamente desastroso, de aumentar o déficit em conta corrente para poder investir e crescer mais. "Se a conjuntura internacional permanecer favorável, dá para prosseguir assim, mas sempre pode dar errado", ele comenta.José Alexandre Scheinkman, da Universidade de Princeton, considera que, com o nível elevado da arrecadação de impostos no Brasil (na comparação com outros países emergentes), o governo deveria dar uma contribuição maior para a poupança nacional."A gente já sabe que um dos grandes diferenciais entre o desempenho dos asiáticos e da América Latina no final do século passado foi o maior investimento deles em infra-estrutura", ele diz, citando uma área na qual os governos tipicamente investem. Os investimentos públicos são considerados poupança, ao contrário dos gastos correntes.A poupança pública no Brasil, aliás, está aumentando, embora em ritmo aquém do que os críticos da política econômica acham recomendável. Samuel Pessôa, da Fundação Getúlio Vargas no Rio, nota que a poupança pública é igual ao resultado operacional do setor público (no qual se desconta a correção monetária dos juros da dívida pública) mais os investimentos. Isso colocaria a poupança pública hoje na ordem de 4% a 5% do PIB.Fernando Montero, economista da corretora Convenção chama a atenção, porém, para o fato de que a poupança privada e a pública são intercomunicantes e as ações do governo que eventualmente aumentam a primeira podem reduzir a segunda. Ele exemplifica com cortes de juros e aumento de impostos, que aumentam a poupança pública, mas podem reduzir a privada - no primeiro caso, pelo incentivo ao consumo e, no segundo, pela redução da renda.Já o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, das Faculdades de Campinas (Facamp), embora também defenda a poupança pública em momentos de crescimento, ressalva que o importante é a montagem de um sistema financeiro apto a financiar os investimentos, como no caso dos países asiáticos. "Eles partiram de uma renda muito baixa, com volume de poupança insuficiente, mas o segredo foi fazer com que o sistema financeiro financiasse o crescimento, canalizando crédito para o investimento; a partir daí, o investimento gerou crescimento, e o crescimento gerou renda e poupança suficientes", explica Belluzzo.

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