Economistas divergem sobre fim do corralito

As opiniões de economistas ouvidos pela Agência Estado sobre a decisão da Suprema Corte argentina de acabar com o corralito, como ficou conhecido o limite aos saques bancários, estão divididas. Os ex-diretores do Banco Central Carlos Thadeu de Freitas e Sérgio Werlang acreditam que a Argentina pode evitar a hiperinflação e a quebra de bancos dependendo das medidas econômicas que adotar durante o feriado bancário que está marcado para acabar na terça-feira. Já os professores da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Renê Garcia e da PUC-Rio Luiz Roberto Cunha, acreditam que a origem do problema é político e a economia será duramente afetada enquanto não houver uma solução política.Ex-diretor de Dívida Pública do BC e professor do Ibmec, Freitas acredita que a saída agora é por meio de duas linhas de ação do BC da Argentina: a primeira seria criar mecanismos para que haja uma taxa de juro acima da inflação para depositantes e investidores de forma a estimular as pessoas a deixarem seu dinheiro no banco porque assim teriam ganho real. "Isso foi feito no Brasil que criou a TR (Taxa Referencial de Juros) para gerar confiança nos bancos depois do confisco do Plano Collor e funcionou", disse Thadeu de Freitas.A segunda medida seria o BC divulgar que não vai deixar nenhum banco quebrar e vai garantir injeção de dinheiro nos bancos pela linha de financiamento automático das instituições financeiras com o Banco Central, o redesconto, ou por outro mecanismo. "O Banco Central talvez tenha que emitir no começo para botar esse dinheiro nos bancos mas isso não deve ter tanto problema porque o dinheiro volta se houver taxas de juros reais (acima da inflação) que estimulem as pessoas a deixar o dinheiro nos bancos", diz Freitas. Para ele, apesar da quebra de confiança com o fim da conversibilidade, "as pessoas devem querer se precaver e guardar dinheiro".Emissão e injeção - Werlang, que foi diretor de Política Econômica do Banco Central e é professor da FGV, concorda que o BC deve emitir pesos e injetar dinheiro nos bancos agora para impedir que alguma instituição financeira quebre. "Vai ter alguma confusão no início porque é uma mudança muito brusca, mas acho que tudo pode se estabilizar em uma ou duas semanas se tomarem as medidas certas e conseguirem apoio do FMI (Fundo Monetário Internacional) pelos próximos seis meses", disse Werlang.Para ele, "as medidas certas" incluem pesificar tudo nas mesmas proporções para créditos e dívidas, adotar o câmbio flutuante e o sistema de metas para inflação. "É claro que o fim do corralito aumenta as chances de hiperinflação, mas acho que não vai acontecer uma hiperinflação se fizerem uma boa ancoragem monetária, por controle de agregados ou pelo sistema de metas de inflação, que acho mais adequado", disse Werlang.Maluquice - Já Cunha, considerou que "o governo tomou a atitude mais correta que foi decretar feriado bancário e tentar reverter essa maluquice enquanto isso porque não existe dinheiro". Para ele, a situação é caótica e o processo agora é político, não econômico.Garcia então acha que "só eleições gerais para presidente resolvem". De acordo com ele, a decisão da Suprema Corte significa o fim do governo do atual presidente Eduardo Duhalde. Os efeitos na economia serão, para Garcia, primeiro "uma violenta queda na atividade produtiva, possivelmente superior a 8% (este ano) e depois uma hiperinflação". Segundo ele, a decisão vai gerar o fim do crédito privado por conta de uma corrida a bancos que, de acordo com Garcia, já estão quebrados. "O corralito era uma tentativa de recomposição do sistema financeiro". Agora, diz, o sistema financeiro deverá ser estatizado.

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