Economistas divergem sobre o IPCA-15

Para a consultoria, IPCA deverá fechar o ano em exatos 6,5%, dentro do projetado pelo governo; já para a Icap Brasil, a inflação deverá romper o teto da meta

Ricardo Leopoldo, da Agência Estado,

21 de dezembro de 2011 | 12h21

SÃO PAULO - Se depender do IPCA de dezembro, baseado na dinâmica do IPCA-15 deste mês, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, não precisará escrever carta aberta ao ministro da Fazenda justificando eventual superação do teto da meta de inflação de 2011, comentou o economista da LCA, Fábio Romão. Após a abertura dos dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Romão revisou sua estimativa para o IPCA cheio deste mês de 0,51% para 0,50%, o que levará o indicador para exatos 6,50%. "Confirmado este número, isto deve evitar o arredondamento e a necessidade de redigir a carta", destacou.

Já Inês Filipa, a economista-chefe da Icap Brasil, prevê que o IPCA fechado do mês deverá ficar em nível bastante parecido e a inflação acumulada do ano deverá romper o teto da meta perseguida pelo BC. "Não alterei minha projeção. Estou com 0,55% para o IPCA fechado de dezembro e pretendo avaliar com mais dados de coleta ainda mais para frente. Este 0,55% daria para 2011 um número de 6,56% e seria desagradável para Tombini ter de explicar o motivo do rompimento do teto da meta", disse Inês Filipa.

De acordo com Romão, vários componentes do IPCA cheio de dezembro devem apresentar uma evolução mais modesta que a do IPCA-15 deste mês. Segundo ele, o item carnes, que responde por 2,44% de todo o IPCA, subiu 4,36% no IPCA-15, mas deve perder velocidade e avançar 3,47% no índice do último mês do ano. No caso de açúcar e derivados, que avançou 0,24% no IPCA-15 deste mês, ele espera quase estabilidade (aumento de 0,01%). Para hortaliças e verduras, que subiram 2,13% no IPCA-15, ele aguarda uma alta de 1,72% no IPCA cheio de dezembro.

"O item Alimentos e Bebidas atingiu o pico no IPCA-15, com incremento de 1,28%. Ele deve ficar menor no IPCA cheio deste mês, com elevação de 1,07%", comentou Romão. Na sua avaliação, batata e tomate devem apresentar um aumento da deflação do IPCA-15 para o IPCA de dezembro. A batata registrou queda de 5,77% no IPCA-15 deste mês, mas ele espera uma retração de 14% no índice cheio. O tomate ficou em -1,63% no IPCA-15 deste mês e deve cair 3,60% no indicador cheio de dezembro, que é referência para o sistema de metas de inflação.

Para o próximo ano, Fábio Romão mostra-se tranquilo. Ele acredita que a inflação vai perder fôlego e alcançar 4,8%, pouco acima da projeção de 4,7% do cenário de referência do relatório trimestral de inflação do BC de setembro. Na sua opinião, alguns fatores devem colaborar para este fato. Um deles é que o item Alimentos e Bebidas deve registrar alta de 0,80% em janeiro. Isso deve ocorrer porque há resultados favoráveis que já estão sendo exibidos em índices de preços do atacado - deflação no IPA agropecuário do IGP-10 de dezembro e da segunda prévia do IGP-M deste mês.

Além disso, antes da nova Pesquisa de Orçamento Familiar, a estimativa de Romão para o item educação de fevereiro de 2012 era de alta de 0,76%, mas, como o peso dessa despesa no IPCA baixou, a elevação deve ser de 0,59%. "Uma série de elementos faz com que a projeção para o IPCA no primeiro trimestre atinja uma elevação de 1,63%, contra uma alta de 2,44% no mesmo período de 2011 e de 2,06% de janeiro a março de 2010", comentou.

Romão não tem dúvida quanto à trajetória de queda da inflação para o próximo ano no acumulado em 12 meses, como ressalta a direção do Banco Central e o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Ele estima que o IPCA fechará este ano em 6,50%, atingirá 5,34% em abril e chegará a 5,22% em maio. Em setembro, o indicador deve ficar pouco abaixo de 5%, pois deve alcançar 4,97%, e manter uma trajetória de desaceleração até o fim de 2012, chegando a dezembro em 4,80%.

Acima da meta

Inês Filipa, da Icap Brasil, afirma que trabalha preliminarmente com uma expectativa de taxas de 0,55% para o IPCA de dezembro e de 6,56% para o índice acumulado deste ano. "Seria mais confortável para o BC que a taxa ficasse em 6,50%, pois é sempre melhor não ter que fazer a carta", comentou.

De acordo com a economista, independentemente do rompimento ou não do teto da meta, o detalhe mais importante é que a taxa de inflação, em 2011, veio forte. "Para o mercado, é indiferente se Tombini vai escrever ou não. É só mais uma questão própria do presidente do Banco Central ter este conforto de não precisar fazer isso", disse. "De qualquer forma, estamos vendo uma aceleração dos índices de inflação nos últimos dois meses", lembrou.

Inês Filipa destacou, por exemplo, a própria aceleração do IPCA-15 entre novembro (0,46%) e dezembro (0,56%). Apesar de ter acertado em cheio o resultado do índice divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a economista chamou a atenção para o comportamento do grupo Alimentação.

Ela trabalhava com uma estimativa de alta em torno de 1% para o grupo, mas o IBGE anunciou um avanço de 1,28%, que exerceu impacto expressivo de 0,30 ponto porcentual na taxa geral de inflação. Em contrapartida, a economista esperava que o grupo Transportes viesse ainda no terreno de altas, mas o resultado efetivo foi de queda de 0,08%.

Para Inês Filipa, o Relatório Trimestral de Inflação, a ser divulgado amanhã (22) pelo BC, causa uma certa ansiedade. De acordo com ela, o documento pode ser algo no estilo "8 ou 80", com informações já conhecidas e previstas pelo mercado ou com novidades relevantes e capazes de trazer algumas mudanças nas expectativas do mercado financeiro. "Ou o BC vai trazer algo para mudar a sinalização de janeiro ou vai manter o mesmo tom da ata do Copom, apenas balizando as projeções de IPCA para 2012 e 2013", opinou a economista, que prevê um IPCA de 0,62% para janeiro do ano que vem.

 

Texto atualizado às 15h19

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