Economistas dizem que desafio para sucessor de Lula é gerar crescimento

O grande desafio para os candidatos à sucessão do presidente Luis Inácio Lula da Silva é ter um programa de governo que gere um crescimento forte da economia brasileira nos próximos anos. Para isso, empresários e economistas reunidos, em seminário organizado pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio), defendem um choque de gestão e metas fiscais mais duras que permitam a redução dos juros. Mesmo sem consenso, parte expressiva do grupo defendeu uma assembléia constituinte exclusiva que altere artigos relacionados a Previdência, Tributação e Pacto Federativo."Temos uma oportunidade de ouro no próximo ano que não pode ser jogada fora por uma visão acadêmica e burocrática", disse o ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros, citando que o próximo presidente receberá uma economia (se a crise política não se agravar até lá) em boa forma. Além dos fundamentos internos, o cenário internacional favorável e o ajuste pelo qual passou o setor privado garantiriam o cenário favorável.Por "visão acadêmica e burocrática", tanto Mendonça de Barros como o ex-ministro Delfim Netto se referiam à preocupação do governo em controlar a inflação. "Os especialistas se especializaram recentemente em colocar areia no desenvolvimento", afirmou Delfim, que criticou o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que se orgulha nos atuais níveis de crescimento do PIB e de inflação. Delfim insistiu em sua crítica de que não existe um PIB potencial para o Brasil de 3,5%, ao contrário do que diz o governo."O excessivo receio das autoridades com a volta da inflação fez o pêndulo ir para o outro lado", disse o diretor-executivo da Fecomercio, Antonio Carlos Borges. Para estimular o debate sobre o crescimento, a entidade criou o Conselho de Planejamento Estratégico que será presidido pelo economista Paulo Rabello de Castro. O conselho não terá componentes fixos e promoverá reuniões periódicas. No dia 22 deste mês, um grupo de juristas discutirá constituinte revisora. Em seguida, serão feitos seminários sobre "Simplificando o Brasil", que discutirá gastos públicos, burocracia e flexibilização das leis trabalhistas."Não acredito nesse PIB potencial de 3,5%. Acho que poderíamos ter muito mais do que isso", afirmou Rabello de Castro. Ao instalar o conselho da Fecomercio, ele adiantou que a entidade convidará todos os candidatos à presidência da República para debater seus programas econômicos para 2007.

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