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Economistas do país temem retaliação chinesa a pacote

O governo do presidente Néstor Kirchner anunciou a aplicação de um pacote de duras medidas com o objetivo de reduzir o impacto da invasão de produtos chineses. Ele aplicará medidas contra 11 setores, entre os quais pneus, bijuterias, têxteis, calçados, brinquedos, bicicletas, ferragens e produtos de informática. Assim, pretende minimizar a tendência de aumento das importações de produtos chineses na Argentina, que cresceram 87% desde 2006.As medidas - aplicadas no papel aos produtos provenientes de todo o mundo, mas, na prática direcionadas contra a China - consistem em licenças não automáticas. Sem isso, a entrada dos produtos pode demorar até 120 dias. Diversos produtos deverão ter especificações técnicas estampadas. A idéia é elevar o rigor para a admissão dos produtos, levando em conta a qualidade, ponto que costuma ser o fraco no produto chinês.Ao anunciar as medidas, Kirchner contou com a presença de parte das principais lideranças empresariais do país, além de sindicalistas. Mas os economistas temem que a China - o quarto destino das exportações argentinas - também aplique medidas de retaliação.As medidas não afetam diretamente o Brasil. Os calçados brasileiros, por exemplo, já sofrem restrições há vários anos. Uma das saídas encontradas pelas empresas foi a de abrir fábricas na Argentina.Kirchner aplicou nesta semana uma série de golpes de efeito para conseguir a simpatia do empresariado. Um deles foi o anúncio do fim da dupla indenização trabalhista, em vigência desde 2002, quando foi criada para brecar a onda de demissões feitas pelas empresas no meio da crise econômica. Também deu sinais de que a crise energética está se enfraquecendo, pelo menos temporariamente, ao anunciar a redução do racionamento de energia para grandes indústrias. Depois de 54 dias consecutivos de suspensão de eletricidade para quase 4 mil empresas durante oito horas diárias, o racionamento foi reduzido para quatro horas. Também anunciou plano para reativar a produção de energia nuclear ao presidir a cerimônia de retomada das obras de Atucha 2, a terceira central atômica argentina, cuja finalização está com 20 anos de atraso.De olho nas eleições presidenciais de outubro (sua mulher, Cristina Kirchner, é candidata), ele também tentou agradar aos aposentados com aumento de 12,5% nas aposentadorias.

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