Paulo Santos/Reuters
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Mercado eleva projeção de inflação para 8,79%, mas mantém Selic a 14%

IPCA teve 9ª semana seguida de alta da projeção na pesquisa Focus; perspectiva para o PIB também piorou, para queda de 1,35%

Reuters e Agência Estado 

15 de junho de 2015 | 08h57

Economistas de instituições financeiras mantiveram a projeção para a taxa básica de juros da economia, a Selic, mas pioraram com força o cenário para a inflação ao final deste ano, após sinais de resistência da alta dos preços. Segundo a pesquisa Focus do Banco Central, divulgada nesta segunda-feira, a estimativa para a taxa básica de juros no final de 2015 continua sendo de 14,0%.

Mas sobre a inflação, os especialistas consultados elevaram a perspectiva de alta do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no final deste ano a 8,79%, ante 8,46% na pesquisa anterior, na nona semana seguida de piora da projeção.

O IPCA de maio surpreendeu ao acelerar a alta a 0,74% na comparação mensal, chegando a 8,47% em 12 meses, maior taxa acumulada desde dezembro de 2003.

Na ata da última reunião do Copom, o BC reafirmou que os ajustes de preços relativos na economia fazem com que a inflação se eleve no curto prazo e tenda a permanecer elevada em 2015. O endurecimento do tom levou parte dos especialistas a acreditar que o atual ciclo de aperto monetário pode ser mais forte.

O Boletim Focus também teve mais uma rodada de alta das previsões para os preços administrados em 2015. A mediana das estimativas para esse conjunto de preços passou de 13,94% para 14%. Há um mês, estava em 13,50%. Para 2016, a expectativa também avançou, saindo de 5,80% para 5,84%. Há quatro semanas estava em 5,71%.

PIB. Segundo as novas projeções do Focus, o Produto Interno Bruto (PIB) de 2015 deve ter retração de 1,35%. Na semana passada, a estimativa era de uma queda de 1,30% e, há quatro semanas, de recuo de 1,20%. Para 2016, a mediana das projeções, que se mantinha em crescimento do PIB de 1% por oito semanas seguidas, agora caiu para 0,90%. 

Após o mergulho das previsões para a produção industrial na semana passada, o mercado financeiro manteve a estimativa de queda de 3,20% para a produção de 2015. Quatro edições da pesquisa Focus atrás, a mediana das previsões para o setor fabril era de uma retração de 2,80%.

Já para 2016, subiram na pesquisa as apostas de expansão para a indústria, passando de 1,50% - patamar em que se encontrava há nove semanas consecutivas - para 1,60% agora. 

Câmbio. Para o mercado de câmbio, a pesquisa não trouxe alterações no cenário. A mediana das estimativas para o dólar no encerramento de 2015 continuou em R$ 3,20 pela sétima vez seguida. Já a cotação final de 2016 seguiu em R$ 3,30 pela décima edição do documento.

(Com Célia Froufe, da Agência Estado)

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