Economistas em Davos enxergam Brasil com otimismo

Há uma mistura de cautela e moderado otimismo no encontro anual do Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), em relação à capacidade do Brasil e de outros países da América Latina de resistir sem abalos mais desastrosos à provável recessão nos Estados Unidos e à turbulência dos mercados globais. O prêmio Nobel de Economia Joseph Stiglitz lembrou que a maior parte dos problemas da América Latina nos últimos 25 anos veio da economia internacional, e afetou até os países com políticas econômicas razoáveis. Quanto ao Brasil, ele notou que o País "fez uma série de coisas certas, mas também é dependente dos preços altos das commodities". Stiglitz acrescentou que a dívida pública brasileira ainda é percebida como alta.Por outro lado, ele continuou, "a boa notícia para o Brasil é que as forças que levaram a altos preços de commodities devem prosseguir, mesmo que haja uma desaceleração global". Ele previu que o preço do petróleo permanecerá alto, mesmo que caia um pouco, e notou que os biocombustíveis criaram uma ligação entre o mercado de combustíveis fósseis e o de comida. Considerando esta inter-relação, ele concluiu que "há uma grande chance de que os preços de exportações brasileiras fiquem altos". Desta forma, Stiglitz acha que "o Brasil é um dos muito poucos países que terá um pouco mais de facilidade para atravessar a tempestade".Um pouco mais cauteloso, Stephen Roach, presidente regional do Morgan Stanley na Ásia (e um dos mais famosos "pessimistas" em relação à economia global) observou que uma desaceleração mundial vai reduzir o preço das commodities, o que afeta o Brasil. Mesmo frisando que o País tem feito um "ótimo trabalho" em termos de política econômica, o economista ponderou que "o Brasil está ligado aos ciclos de globalização, e vai sentir".Para Lawrence Summers, ex-secretário do Tesouro americano,"o Brasil está numa posição muito melhor do que esteve quando tivemos dificuldades econômicas no passado, mas eu acho que qualquer um que confie totalmente na tese do descolamento está fazendo uma aposta arriscada". Ele frisou que, para se preparar para a crise, os países devem dar seguimento a reformas estruturais: "Aqueles que tiverem instituições com credibilidade vão se dar melhor", previu.Segundo Fred Bergsten, diretor do Peterson Institute for International Economics, nos Estados Unidos, "o efeito da desaceleração econômica americana será muito modesto no Brasil, já que as ligações de comércio entre o País e os Estados Unidos não são muito grandes". Para ele, o crescimento brasileiro pode perder alguns pontos centesimais de porcentagem em função da crise, mas o efeito será moderado: "O Brasil está numa posição muito boa para resistir", disse Bergsten. O economista disse ainda que o crescimento das relações comerciais do Brasil com a China e outros países asiáticos melhora as perspectivas de crescimento brasileiro.

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