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Economistas em NY elevam projeção de PIB dos EUA para até 3% no 3º tri

Expectativa é que a economia americana deverá conseguir se recuperar, ainda que lentamente

Luciana Antonello Xavier, correspondente da Agência Estado,

25 de outubro de 2011 | 12h48

NOVA YORK - Apesar de o cenário global seguir muito incerto, especialmente por causa da crise na zona do euro, economistas em Nova York revisaram para cima suas projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) americano para até 3% no terceiro trimestre e avaliam como baixo o risco de recessão. "Acho que escaparemos de uma recessão", acredita o economista-chefe da Rockwell Global Capital, Peter Cardillo.

A primeira leitura preliminar do PIB do terceiro trimestre sai quinta-feira, às 10h30 (horário de Brasília). No segundo trimestre, o PIB cresceu 1,3% e, no primeiro trimestre, a expansão da economia foi de apenas 0,4% na comparação com o trimestre anterior.

Segundo o economista, a menos que a crise na Europa chegue a um ponto de default de alguns países, a economia americana deverá conseguir se recuperar, ainda que lentamente. Ele estima que o PIB do terceiro trimestre mostrará crescimento de 2,6%, de 1,8% na projeção anterior, e vê os riscos de recessão em "apenas" 20% atualmente.

O economista citou que dados recentes, mesmo fracos, sinalizam essa melhora, como o índice de nacional de atividade do Fed de Chicago, que subiu para -0,22 em setembro, ante a leitura revisada de -0,59 em agosto. A média móvel dos últimos três meses melhorou para -0,21 em setembro, de -0,28 em agosto.

Cardillo disse ainda que a robusta temporada de balanços também tem trazido ânimo sobre a saúde dos EUA. "Por outro lado, estamos tendo dificuldades no lado fiscal e a questão é saber como isso será resolvido", afirmou, ressaltando as dificuldades que o governo de Barack Obama tem enfrentado para conseguir aprovações no Congresso.

Já economista-chefe da MF Global, Jim O'Sullivan, revisou recentemente a projeção de crescimento do PIB do terceiro trimestre de 2% para 3%, citando melhora nos investimentos e nos gastos do consumidor.

A projeção do Crédit Suisse também é de expansão do PIB ao redor de 3%, de 2% estimados anteriormente. "O PIB do terceiro trimestre será o melhor do ano",  aposta o diretor gerente do banco, Neal Soss, em nota divulgada ontem aos clientes.

Para ele, a demanda final da economia está reagindo, mesmo em meio aos ventos contrários do mercado financeiro, que vinham afundando a confiança do consumidor.  "Mesmo os dados que tinham intensificado a ansiedade em relação a uma recessão em agosto vem se mostrando mais fortes, como o índice de atividade industrial do Fed da Filadélfia", explicou.

O índice de atividade industrial do Fed da Filadélfia subiu para 8,7 em outubro, de -17,5 em setembro, superando bastante as estimativas dos economistas ouvidos pela Dow Jones, que previam o indicador em -10.

"Se nossa previsão estiver certa, a economia terá se expandido num ritmo de 2,25% nos dois últimos trimestres do ano", afirmou. "Essa trajetória mostra retomada abaixo do potencial da economia e, se persistir nesse ritmo, ela não será suficiente para curar os problemas de desemprego ou fiscais num horizonte aceitável. Mas certamente é melhor do que a alternativa do duplo mergulho", acrescentou Soss. Para ele, o risco de recessão está hoje em 30%, segundo estimativa preliminar, de 36% em setembro.

Terry Sheehan, economista da consultoria Stone & McCarthy, elevou sua estimativa para PIB do terceiro trimestre de 1,7% para 2,1%, citando entre os motivos para a melhora as vendas no varejo. "A força das vendas no varejo em setembro, além das revisões para cima de varejo em agosto e julho, gerou essa elevação de nossa projeção, assim como a melhora dos números de exportações líquidas", explicou.

A economista não acredita que os EUA cairão de novo na recessão. "Apesar de o risco de recessão ser maior hoje, não creio que teremos uma. O cenário mais provável é de um longo período de crescimento lento, acompanhado de melhora abaixo da geração ideal de empregos", afirmou.

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