André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Economistas estimam mais inflação este ano e corte nos juros apenas em 2017

Na pesquisa semanal do Banco Central, os analistas que mais acertam projeções mudaram a estimativa da Selic no fim do ano de 13,75% para 14,25%

Reuters

22 de agosto de 2016 | 09h37

SÃO PAULO - Os economistas que mais acertam as previsões na pesquisa Focus do Banco Central passaram a ver que a autoridade monetária não vai mais cortar a taxa básica de juros neste ano, ao mesmo tempo em que passaram a ver mais inflação em 2016, mostrou o levantamento semanal divulgado nesta segunda-feira, 22.

Segundo o Focus, a mediana de médio prazo do Top 5 mostrou que a Selic vai encerrar este ano a 14,25%, mesmo patamar que está há mais de um ano. Até então, esse grupo acreditava que a taxa fecharia 2016 a 13,75%. Para 2017, foram mantidas as estimativas de a Selic chegará a 11,25%.

O Top 5 também passou a ver mais inflação neste ano, com alta do IPCA a 7,51%, sobre 7,41% no Focus anterior, estourando a meta do período - de 4,5%, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos. Para 2017, manteve a conta de alta de 5,25%.

Os preços de alimentos continuaram pressionando a inflação. Em julho, o IPCA subiu 0,52%, acima do esperado em pesquisa Reuters, e acumulando alta de 8,74% em 12 meses.

A pesquisa Focus mostrou ainda que, na mediana geral dos economistas consultados, a projeção para a Selic tanto em 2016 quanto em 2017 não mudaram, a 13,75% e 11%, respectivamente.

Sobre a alta do IPCA, as estimativas para o IPCA em 2017 recuou para 5,12%, sobre 5,14% na semana anterior. A meta de inflação para o próximo ano é de 4,5%, com margem de 1,5 ponto porcentual.

Para 2016, a estimativa do mercado para a alta do IPCA foi mantida pela segunda semana seguida em 7,31%.

A inflação persistentemente elevada tem levado o BC a reiterar que não há espaço para corte na taxa básica de juros no curto prazo.

A expectativa dos economistas no Focus para a retração do Produto Interno Bruto (PIB) este ano permaneceu em 3,20%. Para 2017, a projeção melhorou, com expansão de 1,20%, sobre 1,10% na semana passada.

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