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Economistas já falam em PIB negativo no Brasil este ano

Na segunda-feira, analistas reduziram novamente a estimativa de crescimento da economia brasileira, que passou de 1,99% para 1,68%

Luciana Dyniewicz, Andre Italo, Cicero Cotrim, Karla Spotorno e Thais Barcellos, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2020 | 18h16

pandemia do coronavírus praticamente acabou com a possibilidade de a recuperação econômica brasileira - lenta há três anos - ganhar tração. Nesta semana, várias instituições financeiras reviram para baixo as previsões para o Produto Interno Bruto (PIB) do País este ano. Alguns analistas já preveem até a possibilidade de uma retração.  

A consultoria Tendências, por exemplo, que havia reduzido sua projeção de crescimento da economia de 2,1% para 1,6% duas semanas atrás, voltou a trabalhar em uma nova estimativa. O novo número para 2020 ainda não está fechado, mas 1% passou a ser o teto, segundo a economista-chefe, Alessandra Ribeiro.

"Não temos um número fechado ainda, mas não tem nada muito animador. Dependo da hipótese usada nos exercícios que fazemos, o Brasil pode ter um PIB mais próximo de 0,5%, 0,6%. Mas, em casos mais dramáticos, não dá para descartar um PIB negativo", afirmou. 

O Credit Suisse passou, nesta terça-feira, 17, a prever um PIB que flerta com o negativo. A projeção do banco caiu de 1,4% para 0%. Em relatório a clientes, o banco afirmou que o cenário base é compatível com uma recessão no primeiro semestre do ano, com retração de 0,1% no primeiro trimestre e de 1,6% no segundo trimestre. 

"Assumimos que haverá uma recuperação da atividade econômica no segundo semestre de 2020, com crescimento do PIB acelerando no terceiro e no quarto trimestres. Não é possível descartar uma recessão mais significativa, dependendo do tempo que levar para que o governo contenha os impactos negativos do vírus", diz o relatório. 

O Credit Suisse avalia que a resposta anticíclica da política econômica deve ser mais contida do que durante a crise de 2008, com a possibilidade de novos estímulos monetários limitada por uma taxa básica de juros, a Selic, já baixa e sem espaço para estímulos fiscais, por conta da deterioração das contas públicas.

O Santander, por sua vez, revisou para baixo as projeções de crescimento em 2020 e 2021, de 2% para 1% e de 2,5% para 2%, respectivamente. "Trabalhamos com um cenário onde o impacto do surto começa a se dissipar no segundo trimestre. Isso vai ficando mais visível no terceiro trimestre e, no quarto trimestre, voltamos à normalidade", afirmou o economista do banco Mauricio Oreng.

Na avaliação do economista, o Brasil será afetado pela da desaceleração da demanda global, que terá impacto sobre as exportações brasileiras e as condições financeiras. No cenário doméstico, o banco espera algumas paralisações de atividades, que podem durar de 20 a 30 dias nas grandes cidades. "No final do segundo trimestre, caminharíamos para a normalidade (com o fim das paralisações)", disse.

Oreng, contudo, ponderou que o cenário é de muitas incertezas. Então, é provável que as revisões de projeções sejam feitas com maior frequência, para acomodar os desdobramentos da crise. Segundo ele, se houver novas previsões, é provável que as estimativas sejam revistas para baixo.

Para 2021, com o fim dos choques econômicos causados pela pandemia, o Santander espera que haja recuperação da atividade. Se a agenda de reformas caminhar com mais velocidade, em especial com a aprovação da PEC emergencial, a projeção de crescimento poderá voltar a ser de 2,5%, disse Oreng.

Ontem, a consultoria MB Associados já havia revisado para baixo sua estimativa de PIB, de 1,7% para 1%. O  Banco Fibra, por sua vez, reduziu de 1,8% para 0,8%. A MB destacou que a indústria brasileira deve amargar o segundo ano consecutivo de queda na produção, na ordem de 0,5%. Para 2021, a consultoria também revisou o PIB, de 2,8% para 2%.

Já segundo o Fibra, há possibilidade de retração da economia brasileira no segundo trimestre deste ano e a recuperação deve ser "apenas moderada no segundo semestre". 

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