Economistas já veem alta inferior a 2,5% no ano

Após número fraco do PIB no primeiro trimestre, instituições financeiras revisam para baixo projeções para a economia no ano

FLAVIO LEONEL, MARIA REGINA SILVA, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2013 | 02h07

O desempenho fraco do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre, com aumento de apenas 0,6%, já levou boa parte dos economistas a revisarem para baixo suas projeções de crescimento do País este ano.

Levantamento feito ontem pela AE Projeções com 17 instituições mostra que a maior parte dos bancos e consultorias já trabalha com previsão de crescimento de 2,5%, ou até menos. Apenas três ainda projetavam uma alta superior a essa. A previsão inicial do governo era de crescimento de pelo menos 3,5% do PIB no ano.

O Besi Brasil é um bom exemplo de instituição que promoveu importante revisão na projeção para o PIB de 2013, de 3% para 2,3%. Os analistas do banco já imaginavam uma revisão para 2,7%, mas os dados de ontem acabaram levando esse número ainda mais para baixo. A percepção do economista sênior da instituição, Flávio Serrano, é de que os demais trimestres do ano não virão com a força necessária para levantar o PIB para algo próximo dos 3%.

Como o resultado do PIB do primeiro trimestre é um dos mais importantes para calcular o dado final, e o número veio abaixo do esperado pela maioria do mercado, o economista-chefe da Quantitas Asset, Gustav Gorski, alterou também significativamente sua projeção, de 3,1% para 2,4%. Segundo ele, os setores que impulsionaram o PIB no começo de 2013 não deverão influenciar o número positivamente mais à frente.

Para Gorski, se não fosse o avanço do crescimento do PIB da agropecuária (de 9,7%) e dos investimentos (4,6%), o resultado do primeiro trimestre teria sido pior. "Do lado da oferta, o que salvou foi a agropecuária, o que não vai se repetir. Pelo lado da demanda, foram os investimentos, que também tendem a não se repetir com a mesma força. E o setor de serviços (0,5%), que é o principal componente do PIB, veio muito fraco. Uma expansão bem menor do que a economia dos Estados Unidos, que está em fase de recuperação", avaliou.

No banco Fibra, o economista-chefe, Cristiano Oliveira, também esperava só a divulgação do PIB do primeiro trimestre para revisar sua projeção para 2013. Após o dado conhecido, alterou a expectativa, de 2,8% para 2,4%. "Nossas estimativas preliminares para o crescimento do PIB nos próximos trimestres não são nada animadoras. Há limitações no campo da oferta que devem impactar o crescimento brasileiro neste período", alertou. "A taxa de crescimento do PIB potencial apresenta significativa e preocupante desaceleração nos últimos trimestres."

Na Rosenberg & Associados, a economista-chefe, Thaís Marzola Zara, não modificou a projeção da consultoria. "O resultado de hoje (ontem) veio praticamente em linha com o esperado por nós, corroborando nossa expectativa de crescimento de 2,5% para o PIB neste ano", escreveu, em avaliação específica sobre o tema. "Em termos dessazonalizados, esperamos uma aceleração no segundo trimestre (para algo perto de 0,8%), seguido de dois trimestres de taxa entre 0,6% e 0,8%."

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