André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Economistas já veem inflação em 7,11% no fim do ano e reduzem projeção para o PIB 

Estimativa para o IPCA foi revista pela 20.ª semana seguida está bem acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central para 2021, de 5,25

Thaís Barcellos , O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2021 | 10h33

A projeção do mercado financeiro para a inflação em 2021 se distanciou ainda mais do teto da meta perseguida pelo Banco Central. Os economistas do mercado financeiro alteraram a previsão para o IPCA - o índice oficial de preços - este ano pela 20.ª vez seguida, conforme o Relatório de Mercado Focus, de alta de 7,05% para 7,11%. Há um mês, estava em 6,56%. A projeção para o índice em 2022 subiu pela quinta semana consecutiva, de 3,90% para 3,93%.  

O relatório Focus trouxe ainda a projeção para o IPCA em 2023, que seguiu em 3,25%. No caso de 2024, a expectativa continuou em 3,00%. 

A projeção dos economistas para a inflação está bem acima do teto da meta de 2021, de 5,25%. O centro da meta para o ano é de 3,75%, sendo que a margem de tolerância é de 1,5 ponto (de 2,25% a 5,25%). A meta de 2022 é de 3,50%, com margem de 1,5 ponto (de 2,00% a 5,00%), enquanto o parâmetro para 2023 é de inflação de 3,25%, com margem de 1,5 ponto (de 1,75% a 4,75%).

A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia.

Na hipótese de a meta de inflação ser descumprida, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, terá de enviar uma "carta aberta" ao ministro da Economia, Paulo Guedes, explicando as razões para o estouro. A última vez que isso ocorreu foi em janeiro de 2018 e o motivo foi o descumprimento em outra direção, por a inflação do ano anterior ter ficado abaixo do piso da meta. O ex-presidente Ilan Goldfajn justificou, à época, que o maior impacto para a inflação ter desabado em 2017 foi a queda dos alimentos por causa da safra recorde.

Os analistas do mercado reduziram levemente suas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2021 e 2022. A expectativa para a economia este ano passou de alta de 5,28% para elevação de 5,27%. Para 2022, o mercado financeiro diminuiu a previsão do PIB de avanço de 2,04% para 2,00%. 

Segundo o boletim Focus, a estimativa para a Selic, a taxa básica de juros, no fim de 2021 e também em 2022 seguiu em 7,50% ao ano. 

No começo de agosto, o Comitê de Política Monetária (Copom) subiu pela quarta vez consecutiva a Selic e acelerou o ritmo ao elevá-la em 1,00 ponto porcentual, para 5,25% ao ano. Ao mesmo tempo, o colegiado sinalizou um novo aumento de mesma magnitude para a próxima reunião, em setembro. 

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