Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Economistas já veem juros básicos em 11,25% no fim de 2022 para controle da inflação

Dados são do boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira, 13, que reúne a consulta a uma centena de economistas do mercado financeiro

Thaís Barcellos, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2021 | 10h21

BRASÍLIA - Após o comunicado mais duro do Comitê de Política Monetária (Copom) deste mês, os economistas do mercado financeiro elevaram a projeção para taxa básica de juros, a Selic, no fim de 2022 de 11,25% para 11,50%. Há um mês, era de 11%. Os dados são do boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira, 13, que reúne a consulta a uma centena de economistas do mercado financeiro.

Após subir a Selic em 1,50 ponto porcentual, de 7,75% para 9,25% ao ano, o Copom indicou, no comunicado da semana passada, mais um aumento da mesma magnitude em fevereiro, o que levaria a taxa a 10,75%. O comitê ainda deixou a porta aberta para uma aceleração, ao afirmar que “os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar a convergência da inflação para suas metas”. 

O aumento do juro básico da economia reflete em taxas bancárias mais elevadas, embora haja uma defasagem entre a decisão do BC e o encarecimento do crédito (entre seis meses e nove meses). A elevação da taxa de juros também influencia negativamente o consumo da população e os investimentos produtivos.

O colegiado também indicou que irá perseverar na estratégia de aperto monetário (ou seja, subindo os juros) “até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas”, preocupado com o aumento das projeções de inflação e o risco de descolamento da inflação em prazos mais longos.

A maioria das projeções para o IPCA, o índice de inflação oficial, continua a apontar para o segundo ano consecutivo de rompimento da meta a ser perseguida pelo Banco Central (BC).

Após 20 altas consecutivas, a projeção para 2022 seguiu em 5,02%, contra 5,00% do teto da meta do ano que vem. Há um mês, a previsão era de 4,79%.

Para 2021, por sua vez, após o IPCA de novembro aquém do esperado (0,95%), a mediana cedeu de 10,18% para 10,05% - após 35 semanas de altas. Mas ainda supera em quase 5 pontos porcentuais a banda superior do objetivo inflacionário deste ano (5,25%). A estimativa era de 9,77% há quatro semanas.

Se confirmada a estimativa, essa será a primeira vez que a inflação atinge o patamar de dois dígitos desde 2015 — quando o IPCA somou 10,67% - no governo da ex-presidente Dilma Rousseff.  A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia.

No comunicado do Copom deste mês, o BC também atualizou suas projeções para a inflação com estimativas de 10,2% em 2021, 4,7% em 2022 e 3,2% em 2023. O colegiado elevou a Selic em 1,5 ponto porcentual, para 9,25% ao ano.

PIB

O relatório divulgado hoje mostrou nova deterioração no cenário de crescimento econômico do Brasil. A redução na previsão para Produto Interno Bruto (PIB) de 2021 foi de expansão de 4,71% para 4,65%. Há quatro semanas, estava em 4,88%.

Para 2022, a projeção de expansão do PIB desacelerou de alta de 0,51% para 0,50%. Há um mês, estava em 0,93%.

Para 2023, a projeção de crescimento cedeu de 1,95% para 1,90%, de 2,00% há um mês. Da mesma forma, para 2024, a estimativa de alta do PIB caiu de 2,10% para 2,00, mesmo porcentual de quatro semanas atrás. 

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