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Economistas não recomendam que BC venda dólar à vista

Uma intervenção do Banco Central no mercado de câmbio através da venda direta de moeda funcionaria apenas como um paliativo para o nervosismo que se reflete nas altas consecutivas das cotações do dólar, dizem analistas do mercado consultados pela Agência Estado. "Vender dólares no mercado spot não vai resolver uma situação agravada sobretudo por expectativas. O resultado seria uma queima de reservas para provocar uma queda apenas temporária da cotação, que daria saída para quem quer comprar moeda", disse o diretor de Asset e Pesquisa Econômica do banco Inter American Express, Marcelo Allain.Ele lembra que, ao contrário das turbulências do ano passado, essa pressão no câmbio tem uma forte parcela de investidores que preferem não expor os recursos ao risco da transição política e, por isso, preferem retirá-los do País.Para o economista-chefe do banco JP Morgan, Luís Fernando Lopes, a venda direta de moeda só teria efeito se houvesse comprovadamente um forte movimento de especulação no mercado por parte dos comprados em dólar, como ocorreu no ano passado, quando a venda de moeda pela autoridade monetária resultaria em prejuízos para as instituições. "Se há mesmo saída, é bobagem vender. O mercado vai comprar e vai remeter", diz Lopes, destacando que o BC tem os instrumentos necessários para saber qual dos movimentos (especulativo ou de saída) tem influenciado com mais força o câmbio.Além disso, os analistas lembram que nesse cenário uma intervenção via venda direta de moeda teria de ser acompanhada do que reza cartilha: elevação nas taxas de juros e, dados os seus efeitos sobre a dívida, mais aperto fiscal. "Uma intervenção bem sucedida não pode estar desvinculada de uma política monetária mais apertada, que chamaria uma política fiscal mais apertada também", disse o estrategista chefe do HSBC, Dawber Gontijo. "E não há indicação de que uma intervenção possa neste momento ser suportada por aperto nos juros e na área fiscal".Para Allain, do Inter American, subir os juros neste momento seria, mais do que nunca, um verdadeiro tiro no pé por parte do BC. "Isso ampliaria as dúvidas sobre o futuro da dívida que estão justamente afetando tanto o mercado", diz o economista. O que resta então ao Banco Central e ao governo fazer para evitar tanta volatilidade no mercado de câmbio, com o dólar comercial registrando uma elevação superior a 20% no acumulado deste ano? "Pouca coisa. A verdade é que não há muita alternativa ao que o BC está fazendo, encurtando a dívida", responde Allain.A utilização dos recursos do FMI (em torno de US$ 5 bilhões, descontados os compromissos até o final do ano, lembra o BBV Banco) poderia acalmar um pouco os ânimos, dizem os analistas, mas não reverter a situação. Vender moeda afetaria as reservas e daria dólar barato para o mercado remeter. Leiloar proteção cambial seria ofertar um instrumento para o qual ainda não há, aparentemente, forte demanda - embora tenham aumentado, e muito, as consultas dos clientes aos bancos sobre o tema. Essa falta de alternativas abre terreno para as mais diferentes conjecturas sobre o que o BC deveria fazer: aumento do compulsório a prazo (em que pese enxugar a liquidez do mercado agora teria, na visão dos analistas, um efeito catastrófico) e até a possibilidade de atuação no mercado de opções, com a devida autorização do FMI, chegaram a ser cogitadas.Por enquanto, a única manifestação da autoridade monetária, além dos leilões e trocas de prazo longo por prazo curto, foi a divulgação de uma nota afirmando que o fluxo de dólares é positivo em junho e foi positivo ontem.

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