Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Economistas passam a prever Selic mais alta neste ano para controle da inflação

Aumento do juro básico da economia reflete em taxas bancárias mais elevadas, embora haja uma defasagem entre a decisão do BC e o encarecimento do crédito

Thaís Barcellos, O Estado de S.Paulo

10 de janeiro de 2022 | 09h45

BRASÍLIA - Após três semanas de estabilidade, os economistas do mercado financeiro voltaram a elevar a projeção para taxa básica de juros, a Selic, no fim de 2022, de 11,50% para 11,75% ao ano, segundo projeções divulgadas nesta segunda-feira, 10, pelo Banco Central no Relatório de Mercado Focus.

No mês passado, ao elevar a Selic para 9,25% ao ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) indicou mais uma alta da mesma magnitude em fevereiro, o que levaria a taxa a 10,75%.

O colegiado ainda garantiu que irá perseverar na estratégia de aperto monetário “até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas”, preocupado com o aumento das projeções de inflação e o risco de descolamento da inflação em prazos mais longos.

O aumento do juro básico da economia reflete em taxas bancárias mais elevadas, embora haja uma defasagem entre a decisão do BC e o encarecimento do crédito (entre seis meses e nove meses). A elevação da taxa de juros também influencia negativamente o consumo da população e os investimentos produtivos.

No Boletim Focus, o cenário para a taxa básica de juros da economia foi mantido para os anos seguintes. A estimativa do Focus para a taxa Selic no fim de 2023 continuou em 8% e para 2024, ficou em 7%.

Inflação acima da meta

A projeção do índice de inflação oficial de 2022 marcou a sexta semana consecutiva acima do teto da meta (5%), apontando para o segundo ano seguido de rompimento do objetivo a ser perseguido pelo Banco Central.

A projeção continuou em 5,03%, contra 5,00% do teto da meta deste ano. Há um mês, a previsão era de 5,02%.

Isso ocorreu mesmo com a desaceleração da estimativa para 2021, que voltou a indicar um resultado aquém de dois dígitos para o ano passado, cuja taxa será conhecida nesta terça-feira (11).

A mediana passou de 10,01% para 9,99%, mas ainda fica muito distante da banda superior do objetivo inflacionário de 2021 (5,25%) e também é a maior variação dos preços desde 2015 (10,67%). A estimativa era de 10,05% há quatro semanas.

Em prazos mais longos, a expectativa para o IPCA em 2023 passou de 3,41% para 3,36%, enquanto, para 2024, a mediana continuou em 3,00%.

Há quatro semanas, essas projeções eram de 3,46% e 3,09%, respectivamente. A meta para 2023 é de inflação de 3,25%, com margem de 1,5 ponto (de 1,75% a 4,75%). Já para 2024 o objetivo é de 3,00%, com margem de 1,5 ponto (de 1,5% para 4,5%).

PIB em baixa

O cenário de crescimento econômico do Brasil em 2022 continuou a piorar no boletim. A projeção para expansão do Produto Interno Bruto (PIB) este ano minguou de 0,36% para 0,28%. Há um mês, estava em 0,50%. Para 2021, a mediana continuou em 4,50%, de 4,65% há quatro semanas.

Para 2023, a projeção de crescimento também caiu, de 1,80% para 1,70%, de 1,90% há um mês. Para 2024, a estimativa seguiu em 2,00%, mesma taxa de quatro semanas atrás.

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