André Dusek/Estadão
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Economistas passam a ver inflação colada em 7% em 2021 e Selic maior no fim do ano

Projeção para o IPCA está bem acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central para este ano, de 5,25%; segundo o relatório Focus, taxa básica de juros deve chegar a 7,25%

Fabrício de Castro , O Estado de S.Paulo

09 de agosto de 2021 | 09h51

BRASÍLIA - A projeção do mercado financeiro para a inflação em 2021 se distanciou ainda mais do teto da meta perseguida pelo Banco Central. Os economistas do mercado financeiro alteraram a previsão para o IPCA - o índice oficial de preços - este ano, conforme o Relatório de Mercado Focus, de alta de 6,79% para 6,88%.

Trata-se da 17.ª alta seguida. Há um mês, estava em 6,11%. A projeção para o índice em 2022 foi de 3,81% para 3,84%. Quatro semanas atrás, estava em 3,75%. O relatório Focus trouxe ainda a projeção para o IPCA em 2023, que seguiu em 3,25%. No caso de 2024, a expectativa permanece 3,00%. 

A projeção dos economistas para a inflação já está bem acima do teto da meta de 2021, de 5,25%. O centro da meta para o ano é de 3,75%, sendo que a margem de tolerância é de 1,5 ponto (de 2,25% a 5,25%).

A meta de 2022 é de 3,50%, com margem de 1,5 ponto (de 2,00% a 5,00%), enquanto o parâmetro para 2023 é de inflação de 3,25%, com margem de 1,5 ponto (de 1,75% a 4,75%). Para 2024 a meta é de 3,00%, com margem de 1,5 ponto (de 1,5% para 4,5%).  

A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia.

Na hipótese de a meta de inflação ser descumprida, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, terá de enviar uma "carta aberta" a Guedes, explicando as razões para o estouro. A última vez que isso ocorreu foi em janeiro de 2018 e o motivo foi o descumprimento em outra direção, por a inflação do ano anterior ter ficado abaixo do piso da meta. O ex-presidente Ilan Goldfajn justificou, à época, que o maior impacto para a inflação ter desabado em 2017 foi a queda dos alimentos por causa da safra recorde.

Juros em alta

Para o controle da alta de preços, o mercado estima que o BC vai subir ainda mais a taxa básica de juros em 2021. O Relatório de Mercado Focus trouxe que a mediana das previsões para a Selic neste ano subiu de 7% ao ano para 7,25% ao ano. Hoje, a taxa básica de juros está em 5,25% ao ano, depois de um aumento de 1 ponto porcentual na última semana. 

Para 2023, a projeção também subiu, de 7% para 7,25% ao ano. Nos dois anos seguintes, a expectativa do mercado é que a Selic feche em 6,5% ao ano. 

Para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2021, os economistas do mercado financeiro mantiveram a estimativa de crescimento da economia brasileira de 5,30%. 

No começo do ano, o mercado previa que o PIB iria crescer 3,4%. A economia, no entanto, tem mostrado reação nos últimos meses, influenciada, entre outros motivos, pela alta dos preços das commodities - produtos básicos, como alimentos, minério de ferro e petróleo, cotados no mercado internacional em dólar.

Para 2022, o mercado manteve reduziu a previsão de alta do PIB em 2,10% para 2,05%.

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