Economistas pedem mudanças na política econômica

Cerca de 200 economistas do País assinaram um manifesto, que será lançado amanhã, no Rio de Janeiro, e que propõe mudanças na condução da política econômica atual. Entre os que assinam o documento, estão economistas ligados ao PT ou que apoiaram a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência, como Luiz Gonzaga Belluzzo, Ricardo Carneiro e Plínio de Arruda Sampaio Jr, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e organizador do manifesto.No documento, intitulado "A Agenda Interditada - Uma Alternativa de Prosperidade Para o Brasil", os economistas defendem o controle de capitais externos e do câmbio em nível real favorável às exportações e redução do superávit primário e da taxa básica de juros.Belluzzo defendeu que o governo adote "um câmbio realista" e disse que tem de haver superávit primário, "mas ele não pode ser aumentado, como foi". Ele afirma que a manutenção da política econômica do governo está produzindo "uma grave recessão". "A valorização do câmbio e o aumento da taxa de juros e do superávit primário só tem como resultado a recessão", afirmou o economista.Ele afirmou que o manifesto tem como objetivo o debate. "Nós não estamos escondendo nossa ligação com o PT, mas entendemos que temos o direito e o dever republicano de discutir assuntos importantes como esse. A crítica é clara e faz parte do processo democrático", disse Belluzzo. O economista afirmou também que os autores do documento "não esperam gesto de agrado ou desagrado do presidente Lula". "Estamos simplesmente expondo nossos pensamentos", disse. Apesar das críticas à política econômica do governo, Belluzzo disse acreditar que a transição tinha de ser feita como foi, de maneira tranqüila, segundo ele.

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