Economistas preveem mais deterioração no mercado de trabalho

Especialistas avaliam que ainda não há nada no quadro econômico que possa trazer algum sinal de alívio no nível de emprego

Mário Braga e Álvaro Campos, Estadão Conteúdo

26 Fevereiro 2016 | 17h05

O corte de 99.694 empregos em janeiro, segundo números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), apesar de ter vindo abaixo das expectativas do mercado, não altera o quadro de enfraquecimento do mercado de trabalho na avaliação do economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Camargo Rosa. "O dado vir melhor que o esperado não significa muita coisa. Na realidade, este é um dos piores janeiros desde 2009", disse, em referência ao período após o estouro da crise financeira global, em setembro de 2008. Segundo o AE Projeções, a mediana das expectativas do mercado era de corte de 141 mil vagas formais.

Em janeiro, o comércio eliminou 67.750 empregos e os serviços, 17.159, liderando os cortes. Indústria e construção civil aparecem em seguida, com 16.553 e 2.588, respectivamente. Para Camargo Rosa, este é um claro sinal de que o ajuste no emprego feito na indústria pode estar chegando ao fim. "A indústria saiu na frente nas demissões e já não tem muito mais onde cortar. Por outro lado, o comércio e os serviços ainda têm alguma gordura e estão sentindo os impactos da recessão econômica", afirmou.

Pelos cálculos do especialista, se a tendência dos últimos meses se mantiver, o Brasil perderá 1,9 milhão de empregos formais neste ano. "Não vejo nada no quadro econômico que possa trazer alguma sinal de alívio para o mercado de trabalho", afirmou o economista-chefe da SulAmérica Investimentos. Em 2015, as demissões totalizaram 1,542 milhão.

Longe da recuperação. Segundo o banco britânico Barclays, sazonalmente ajustado o Caged de janeiro significa a eliminação de 129.235 postos de trabalho, ante o número também ajustado de 154 mil em dezembro. "No geral, o resultado de janeiro parece marginalmente melhor, entretanto, se a eliminação de vagas continuar nesse ritmo, chegará a 1,5 milhão este ano, após o recorde de 1,6 milhão de 2015", diz o banco em relatório, assinado pelo economista Bruno Rovai.

Segundo o Barclays, o forte nível de fechamento de vagas reforça a visão de contínua deterioração no mercado de trabalho, o que vai pressionar o consumo das famílias de novo este ano, sendo um dos principais fatores para a recessão prevista para 2016. "Os números marginalmente melhores em janeiro não nos deixam otimistas sobre uma recuperação no Brasil, mas reforçam nossa visão de que a recessão este ano pode ser levemente mais contida do que em 2015", afirma o texto.

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