Economistas questionam 'descolamento' de emergentes da crise

Especialistas dizem que embora notícias negativas se concentrem nos EUA, implicações são cada vez mais globais

João Caminoto, da Agência Estado,

16 de janeiro de 2008 | 16h29

Cresce nos mercados financeiros a percepção de que a crise financeira nascida nos Estados Unidos terá um impacto mundial mais relevante do que anteriormente se imaginava. Até mesmo a tese do "descolamento" dos países emergentes - ou seja, que essas economias estariam protegidas da turbulência - começa a apresentar rachaduras.O chefe global de pesquisa em mercados emergentes do banco HSBC, Philip Poole, alertou que os mercados exageram na crença do descolamento dos emergentes e que alguma correção nos ativos desses países é inevitável. Themos Fiotakis e Jens Nordvig, economistas do banco Goldman Sachs, têm a mesma opinião. "Embora o fluxo de notícias negativas esteja centrado nos Estados Unidos, parece que suas implicações são cada vez mais consideradas pelos mercados como globais, pelo menos sob a perspectiva dos ativos financeiros", afirmaram. "Sinal disso é que os mercados acionários emergentes estão sendo afetados severamente e os preços das commodities também seguem nessa direção."  Segundo eles, o processo de reavaliação do crescimento global tem espaço para progredir, especialmente para os ativos financeiros ainda norteados por teses excessivamente otimistas. "E dentro dessa perspectiva, o mercado cambial dos emergentes está agora enfrentando um teste crucial", afirmaram Fiotakis e Nordvig. "Até agora, as moedas emergentes têm tido um bom desempenho, apesar dos crescentes riscos de recessão nos Estados Unidos. Mas se os mercados acionários desses países caírem ainda mais, o que parece um risco real neste momento, as moedas emergentes poderão também sofrer mais."  Esse risco, segundo os analistas, se aplica principalmente para as moedas que foram fortalecidas pela entrada de volumosos fluxos e vigor nos mercados acionários domésticos, e que não estão se beneficiando de taxas de juros domésticas em alta", afirmaram.  Rashique Rahman, estrategista global para emergentes do Royal Bank of Scotland, observou serem crescentes os sinais de que a desaceleração econômica dos Estados Unidos está se estendendo para o resto do mundo. "Estamos cada vez mais preocupados que os investidores vão começar a precificar também uma perspectiva menos favorável para os emergentes ", disse Rahman.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.