Economistas retomam pessimismo com a crise, diz Fecomercio

Índice de Sentimento dos Especialistas em Economia caiu para 98,2 pontos, revelando cautela dos especialistas

Gustavo Uribe, da Agência Estado,

09 de setembro de 2009 | 16h47

Os impactos causados pela crise financeira mundial persistem na economia brasileira. Essa é a opinião de cerca de cem economistas entrevistados pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP) para a formulação do Índice de Sentimento dos Especialistas em Economia (ISE), calculado em parceria com a Ordem dos Economistas do Brasil (OEB). O indicador, que vinha em trajetória de alta desde dezembro, teve em agosto queda de 6,8% em relação a julho e retornou ao nível de pessimismo, passando de 105,4 pontos para 98,2 pontos. O índice tem escala de 0 a 200 pontos, indicando pessimismo abaixo de 100 e otimismo acima desse nível.

 

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Na avaliação de especialistas da Fecomercio-SP, os economistas têm se mostrado mais cautelosos em relação ao futuro da economia nacional. "Sinais da crise ainda são presentes em indicadores econômicos, como a alta na inadimplência e na emissão de cheques sem fundos", aponta o economista Guilherme Dietze. "A lentidão da melhora no cenário econômico ainda desperta receio em alguns analistas."

 

O indicador da Fecomercio-SP é composto por dois subíndices: o que mede o sentimento dos entrevistados em relação ao presente e o que diagnostica as expectativas para o futuro. Em agosto, o pessimismo dos economistas foi puxado pela avaliação de longo prazo, que teve queda de 13,6% ante julho, apesar de ainda se manter positiva (109,2 pontos). Em contrapartida, a percepção em relação ao cenário atual teve alta de 3,4% sobre julho, embora o índice esteja desde o agravamento da crise, em setembro de 2008, em terreno negativo: na faixa dos 70 a 90 pontos.

 

Dos nove itens analisados pelo ISE, três contribuíram para a queda do indicador geral: gastos públicos, com redução de 70% (para 10,1 pontos); taxa de inflação, com queda de 20,5%, (para 83,8 pontos); e taxa de juro, com redução de 28,5% (para 56,4 pontos). De acordo com Dietze, a queda desses três itens é atribuída ao sentimento dos economistas de que em 2010 haverá alta dos preços. "Os especialistas temem pressões advindas da política de estímulo ao consumo adotada pelo governo federal e da melhora na oferta de renda e emprego", aponta.

 

Dietze ainda ressalta que os preços devem ser pressionados pelo aumento dos gastos públicos em ano eleitoral. Segundo ele, a ameaça de inflação deve fazer com que o Banco Central aumente a taxa básica de juros, atualmente em 8,75% ao ano. "Com esses fatores, os economistas já creem que, no próximo ano, o Banco Central deverá elevar a taxa de juros para conter as pressões de preços", destaca Dietze.

 

A perspectiva de uma recuperação lenta na economia mundial e a recuperação mais rápida do que se previa da economia interna puxaram a alta de itens como cenário internacional, com aumento de 10,4% (para 160,3 pontos), e nível de atividade interna, com elevação de 12,4% (para 162,6 pontos). A expectativa de recuperação da economia contribuiu para a segunda alta consecutiva no índice de nível de emprego, que alcançou em agosto 115,2 pontos.

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