Economistas sugerem ao Brasil diversificar exportações

Se o Brasil quiser utilizar o comércio exterior como vetor eficaz do crescimento deveria desenvolver uma estratégia para se tornar competitivo na venda de produtos de alto valor agregado e dinâmicos no mercado internacional. A sugestão é de economistas da Organização Mundial do Comércio (OMC) e da ONU, que apontam a experiência chinesa como um dos modelos que mais resultados gerou para o crescimento de um país nos últimos anos. No início da semana, o governo divulgou sua estratégia de política industrial e apostou no comércio exterior como um dos principais mecanismos para atingir seus objetivos. Para a OMC, porém, não bastará apenas exportar mais do que o País já vende para gerar desenvolvimento e crescimento. "A diversificação para produtos com componentes tecnológicos pode ter um resultado mais eficaz" afirmou Michael Finger, um dos economistas mais experientes da OMC. Em 2002, dos seis principais produtos da pauta de exportações do País, apenas dois - automóveis e aviões - não eram do setor agrícola ou siderúrgico. Estudos feitos pela ONU, porém, mostram que se os países conseguissem ampliar o número de itens exportados e incluir produtos tecnológicos reduziriam sua vulnerabilidade externa e conseguiriam gerar um maior número de empregos em vários setores da economia. China é exemplo de diversificação das exportaçõesA ONU lembra que um dos modelos de diversificação que deu resultados concretos foi o da China. Entre 1985 e 2001, as exportações do país se multiplicaram por dez, atingindo US$ 266 bilhões. No mesmo período, o Produto Interno Bruto (PIB) aumentou em média 7,8% por ano. A Morgan Stanley ainda aponta que, na próxima década, as vendas do país podem chegar a US$ 1 trilhão por ano."O segredo, no caso chinês, foi a habilidade em diversificar a pauta de exportações para produtos de alto valor agregado", afirmou Finger, da OMC. Segundo um estudo da ONU, a diversificação ocorreu graças aos investimentos externos, que fortaleceram e deram competitividade a vários setores que eram praticamente inexistentes no início dos anos 90. A tática permitiu que o país deixasse de depender de itens agrícolas e siderúrgicos para garantir um superávit em sua balança externa. Em 1985, esses produtos representavam 49% das exportações chinesas. Hoje, apenas 12%. Enquanto isso, o setor de telefonia viu suas vendas aumentarem em seis vezes entre 1996 e 2000. Só a Motorola exporta da China cerca de US$ 1 bilhão, mais do que toda a venda de suco de laranja do Brasil para o mundo em 2002. Já a Intel, na China, exportou mais de US$ 400 milhões em circuitos eletrônicos em 2000 e a IBM outros US$ 1,5 bilhão.Empresas locais também se beneficiamSegundo um estudo da ONU, as exportações não beneficiaram apenas as grandes multinacionais que se estabeleceram na China nos últimos anos. O documento aponta que empresas locais se proliferaram e tiveram a função de suprir peças e equipamentos às grandes empresas. "A experiência na China está mostrando que empregos também são gerados por empresas que sequer exportam, mas que existem para suprir aquelas que focalizam suas atividades no mercado internacional", afirmou um especialista da Unctad (Conferência da ONU para Comércio e Desenvolvimento). Para Finger, na OMC, o resultado social e econômico de uma política de aumento das exportações no Brasil dependerá de que setor incrementará suas vendas. "Uma coisa é aumentar as exportações de um produto agrícola cultivado em grandes propriedades. Outro é exportar produtos dinâmicos e de alto valor agregado", completou o economista.

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