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Economistas temem volta da inflação e crise de energia

A volatilidade financeira continuará pelo menos até o início do ano que vem e a formação de um cenário de inflação explosiva ou de - ao contrário - redução do risco Brasil e da taxa de juros em 2003 dependerá agora das ações do governo eleito, principalmente em relação a gastos públicos. Há risco também de uma nova crise de energia. Esse diagnóstico foi consenso hoje entre economistas que participaram do evento "Brasil 2003 - Visão Econômica", promovido pelo Ibmec, no Rio.Enquanto o presidente do Ibmec, Paulo Guedes, e o economista da Fundação Getúlio Vargas, Aloísio Araújo, declararam seu otimismo moderado com o PT, os ex-integrantes da equipe econômica no primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso, Gustavo Franco e Winston Fritsch, se mostraram mais desconfiados. Guedes disse que a inflação pode explodir se o salário mínimo for muito grande ou se voltar a haver gatilho salarial, mas em seguida disse que acha que isso não acontecerá."Tenho sentido serenidade e tranqüilidade tanto na parte política, com o José Dirceu (presidente do PT), quanto na parte econômica, com esse Palocci (coordenador da transição, Antônio Palocci)", disse Guedes.Já o ex-presidente do Banco Central e sócio da Rio Bravo Investimentos Gustavo Franco lembrou que, no passado, o que serviu para travar a transmissão da inflação foi a conjunção de política monetária apertada, demanda desaquecida e contenção salarial. Franco, que prevê um salário mínimo mais próximo de R$ 250 do que de R$ 200, afirmou que "já tem muito empresário falando em recuperação de margens".Ele lembrou que a questão salarial tem uma simbologia muito forte para o PT, que nasceu no sindicalismo defendendo aumentos salariais, e citou que o pedido de dissídios dos petroleiros é de 72%. "Se um dissídio desses sai com um número maluco, isso destrói o mecanismo que bloqueou a transmissão da inflação", disse Franco.CMNEnquanto Guedes manifestou preocupação que o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social passe de um órgão "informativo legítimo" para "um conselho de governo ilegítimo", Franco disse temer que a composição do Conselho Monetário Nacional (CMN) seja mudada pelo presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva.O CMN tem, entre outras funções, a de dar as diretrizes para a política monetária. Hoje o CMN é composto só pelos ministros da Fazenda, do Planejamento e pelo presidente do Banco Central. No passado, o CMN era composto por vários ministros, todos os presidentes dos bancos federais, tinha representantes de entidades como a Febraban e empresários de vários setores. "Se o novo presidente quiser colocar todo mundo de volta no CMN pode mudar por medida provisória e vão todos decidir em assembléia a política monetária", disse.Ele declarou que não acha que o presidente da República deve dar as diretrizes de política monetária e defendeu mandatos para os dirigentes do Banco Central. "O preço dos dirigentes do Banco Central não terem mandato é a turbulência que passamos nessa eleição", afirmou.Araújo declarou que tem "razão para ser moderadamente otimista se o PT fizer o que está indicando que vai fazer". Segundo Araújo, com as reformas previdenciária e tributária seria possível baixar a taxa de juros real para cerca de 7% ao ano no final de 2003. "A taxa de juros real não pode ser mais alta que 7% porque o Brasil não tem solvência fiscal para isso" afirmou.EnergiaAraújo considera que o suprimento de energia deve estar garantido por mais dois ou três anos, mas pode faltar energia no médio prazo se não for resolvido o problema estrutural do setor. Como resolver isso, de acordo com ele, é talvez a pergunta mais difícil do momento.Para o diretor-presidente do Dresdner Bank no Brasil, Winston Fritsch, no entanto, os problemas com a energia vão aparecer já em 2004 se uma solução não for trabalhada a partir de agora. Fritisch considera que a privatização da geração de energia já deveria ter ocorrido porque, "para o investidor privado entrar no negócio com 80% da geração sendo pública, é como jogar futebol com o outro time podendo fazer gol com a mão". Fritsch considera que há uma tendência clara de aumento da inflação e a situação vai depender muito do câmbio.

Agencia Estado,

12 de novembro de 2002 | 19h46

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