André Dusek/Estadão
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Economistas preveem estouro da meta de inflação em 2016

Pesquisa Focus aponta que o BC deve entregar a inflação fora da meta em 2015 e 2016; projeção para a queda do PIB chega a 3,15%

Reuters

23 de novembro de 2015 | 09h16

O Banco Central não deve cumprir a meta de inflação em 2015 e também em 2016, segundo as mais recentes projeções de economistas consultados pela própria autoridade monetária na pesquisa semanal Focus. Os analistas também passaram a indicar uma taxa de juros mais elevada no próximo ano.

De acordo com o levantamento, a expectativa é de alta de 6,64% do IPCA em 2016, 0,14 ponto porcentual a mais em relação à semana anterior. Para 2015, as projeções também pioraram, com avanço de 10,33%, ante 10,04%.

Para ambos os anos, a meta do governo é de 4,5% pelo IPCA, com tolerância de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos. Em caso de descumprimento da meta, o BC é obrigado a dar explicações públicas.

O cenário de inflação mais pesado veio mesmo com os economistas elevando as projeções para a taxa básica de juros. De acordo com a pesquisa divulgada nesta segunda-feira, a expectativa para a Selic no final de 2016 subiu a 13,75%, ante 13,25% na semana anterior.

Entretanto, não houve alterações na perspectiva de que a taxa será mantida nos atuais 14,25% na reunião desta semana do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, a última do ano.

O Focus mostrou ainda que as expectativas para a alta dos preços administrados aumentou 0,43 ponto porcentual em 2015, a 17,43%, porém para 2016 não houve alteração na projeção de avanço de 7%.

Em novembro, o IPCA-15 acelerou a alta a 0,85% e o avanço chegou a 10,28% em 12 meses, ultrapassando o patamar de 10% no acumulado em 12 meses pela primeira vez em 12 anos.

O cenário para a economia também voltou a piorar e a pesquisa com uma centena de economistas mostra que agora a expectativa de contração do Produto Interno Bruto (PIB) de 2015 é de 3,15%, contra queda de 3,10% antes. Já a projeção para a retração econômica em 2016 foi ajustada para 2,01%, ante 2,0%.

Por sua vez, a projeção de contração da produção industrial para este ano chegou a 7,50%, contra queda de 7,40% na pesquisa anterior. Por outro lado, para 2016 a retração do setor passou a ser estimada em 2%, contra recuo de 2,15% antes.

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) - espécie de sinalizador do PIB - apontou que a economia brasileira encerrou o terceiro trimestre com contração de 1,41%, o quarto seguido de perdas num cenário de profunda recessão, inflação em alta e incertezas políticas e fiscais.

(Por Camila Moreira)

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