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Economistas vêem parada súbita não só do crédito, mas da economia global

O mundo está passando por uma "parada súbita da economia", um fenômeno pior do que a parada súbita do crédito já identificada desde o início da pior fase da crise financeira global em setembro. Esta foi uma das muitas visões sombrias sobre a economia global que dominaram os três primeiros dias da reunião conjunta da sessão latino-americana da Sociedade Econométrica Internacional e da Associação Latino-Americana (Lames-Lacea), no Rio.Durante o congresso, do qual participam quatro prêmios Nobel de Economia, diversos acadêmicos de renome internacional e muitos dos melhores economistas brasileiros, o único consolo foi a visão majoritária de que o Brasil está numa situação relativamente melhor do que a média dos emergentes. O encontro começou na quinta e se encerra hoje.Charles Calomiris, da Universidade de Colúmbia, previu que o consumo americano deve cair a uma taxa anualizada de 10% nos próximos trimestres. "Será a maior queda desde a Grande Depressão", ele disse. Já Alberto Ramos, vice-presidente do Goldman Sachs, disse que a projeção do seu banco para o PIB americano no quarto trimestre é de queda anualizada de 5%. "Acho que nunca ocorreu antes, ou talvez só na Grande Depressão", disse Ramos, acrescentando que, mais do que uma parada súbita do crédito, o que se está ocorrendo globalmente hoje é uma inédita "parada súbita da economia".Para Calomiris, o crescimento da China será muito menor do que o ritmo acima de 11% dos últimos anos. Esta queda pode derrubar ainda mais o preço das commodities, e colocar pressão nas contas externas dos países latino-americanos, dependentes da exportação de matérias-primas.Mauricio Cárdenas, economista da Brookings Institution, previu que o crescimento da América Latina pode ficar entre 1% e 2% em 2009, caso a recessão americana seja muito forte. No caso do Brasil, ele projeta crescimento de 2,5% a 3%.O economista Michael Dooley, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, mostrou-se otimista em relação ao Brasil: "O Brasil está em melhor condição para atravessar isto tudo do que muitos outros mercados emergentes", disse, citando o acúmulo de reservas internacionais e a credibilidade da política monetária. Quanto à queda do real, Dooley avaliou que é causada pela saída dos investidores de posições em ativos considerados de risco, como os brasileiros. "A melhor defesa é deixar o real se desvalorizar", disse.

Fernando Dantas, O Estadao de S.Paulo

22 de novembro de 2008 | 00h00

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