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Ecos de um futuro possível

"Admirável Mundo Novo, que abriga tais fantásticas criaturas…” Ao raiar do novo ano é hora de olhar para o futuro com audácia e, para o passado, com orgulho, a ver o quanto conquistamos. Lá se vão três séculos da derrocada total das ideias arcaicas, ultrapassadas e limitantes que Darwin disseminou. Libertamo-nos do jugo cruel da natureza e de seu critério defeituoso e insuficiente de seleção. Hoje, está em nossas mãos a escolha das características que nos convém como espécie humana e somos livres para seguir na direção correta. O futuro nos levará para além da similitude para a almejada homogeneidade. Dentro das categorias as quais pertencemos, somos iguais em tudo: em potência, aspirações, talentos, vocações. Somos a única espécie homogênea em todas as suas camadas.

Demi Getschko*, O Estado de S. Paulo

16 de novembro de 2015 | 03h00

Para isso tivemos que travar e vencer uma longa luta contra o obscurantismo e obscurantistas. O vicioso conceito de família, que escondia ideologias de segregação, foi superado. Famílias disseminavam procedimentos éticos e morais - e mesmo ideias religiosas - em formas raramente aderentes à Grande Norma. Isso finalmente foi superado e hoje os jovens recebem formação uniforme, a partir do Estado, sem as distorções que o clã familiar propiciava. Esparta estava, à maneira dela, certa neste ponto. Nos livramos do estorvo de uma história, repleta de opressão e de incorreções. Nada do que foi importa! A história sempre recomeça hoje e da forma certa.

Na genética, nós também vencemos barreiras. Há tempos que variantes humanas mais adequadas a funções braçais tornaram-se obsoletas com o uso de máquinas automáticas, mas agora atividades intelectuais também podem ser melhor executadas por inteligência artificial! Há uma melhor taxa de acertos, baseada em mais informação e não afetada por inconvenientes vieses emocionais humanos. Ainda na biologia, somos todos, agora, geneticamente redundantes, o que aumenta nossa resistência a doenças e melhora a expectativa de vida. A clonagem substituiu com enorme ganho os rudimentares métodos, ditos “naturais”, de propagação, com todos seus atrabiliários problemas.

Usamos, sim, células humanas, mas de melhor procedência, após criteriosa seleção. O resultado são clones perfeitos, o que nos fornecem, automaticamente, um controle simples e efetivo da quantidade de indivíduos. Dessa forma, nós conseguimos sair dos temíveis 10 bilhões para pouco mais de 100 milhões, número que a Grande Norma considera adequado e sustentável para o planeta.

Finalmente, nunca esquecemos a busca da felicidade. Sabemos que a felicidade sempre está dentro de cada pessoa. O autossuprimento de felicidade é a receita para a paz e o progresso. Para isso, temos à nossa disposição uma miríade de tratamentos, aparelhos, cremes, unguentos e drogas. Eles nos libertam de quaisquer preocupações diversionistas e fazem com que as pessoas se sintam melhores consigo próprias a cada dia. “Olho para meu ‘eu’ e me satisfaço! Contemplo-me e me sinto feliz! Minha autoestima é cada vez maior e busco a felicidade, sempre. Para isso me esforço e com isso me regozizo… jizo... jZKJzJZj… HALT! UNEXPECTED FATAL ERROR - PLEASE WAIT… RELOADING…

*Demi Getschko é conselheiro do Comitê Gestor da Internet; escreve quinzenalmente

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