Edemar Cid Ferreira é transferido para presídio em Guarulhos

O ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira será transferido no início da tarde desta segunda-feira da sede da Polícia Federal, na Lapa, zona oeste de São Paulo, para o Centro de Detenção Provisória 2, em Guarulhos. Antes disso, segundo a assessoria da PF, o ex-banqueiro deverá passar por exames no Instituto Médico Legal (IML).Edemar estava preso na superintendência da Polícia Federal desde a tarde da última sexta-feira. Nesta segunda, por volta das 3 horas da madrugada, ele teve seu pedido de habeas corpus negado pela desembargadora do Tribunal Regional Federal em São Paulo (TRF/SP) Ana Maria Pimentel. Sua prisão preventiva foi decretada pelo juiz da 6ª Vara Criminal Federal em São Paulo, Fausto De Sanctis, a pedido do Ministério Público. A legação foi a de que o ex-banqueiro havia escondido obras de arte do acervo que mantinha em sua mansão, na sede do banco e em um galpão no bairro do Jaguaré, na zona oeste da capital, que deveriam ter sido entregues à Justiça. Edemar também é acusado de obstrução das investigações.Início do casoEdemar Cid Ferreira é o dono do Banco Santos, que desde maio de 2004 está sob intervenção do Banco Central. A decisão foi tomada tendo em vista que os ativos da instituição não cobriam 50% das dívidas com os credores do banco. Pela Lei 6.024, o Banco Central, nesses casos, tem de fazer a liquidação da instituição. No início do processo de intervenção, o BC estimava que esse passivo a descoberto fosse de aproximadamente R$ 703 milhões.Outro motivo que levou à liquidação foi o insucesso das negociações entre os credores do banco para viabilizar uma solução que permitisse sua reabertura.Em setembro do ano passado, o Banco Santos teve a falência decretada pela Justiça paulista. Ao decretar a falência, o juiz Caio Marcelo Mendes de Oliveira, da 2ª Vara de Recuperações e Falências, entendeu que estavam presentes todos os requisitos necessários para a falência: autorização do Banco Central, existência de duas vezes mais passivos (dívidas) do que ativos (créditos) além da gravidade das irregularidades na administração do banco, encontradas durante a tramitação do inquérito instaurado pelo BC. Em parecer, o Ministério Público opinou pela falência.?A gravidade das ocorrências constatadas no caso específico aconselham a decretação desde logo da falência, para permitir, o quanto antes, a apuração de delitos e a recuperação, ainda que pequena, dos direitos da imensa massa falida de credores prejudicados?, escreveu Oliveira.Os correntistas e investidores da instituição, entre eles várias prefeituras, fundos de pensão e empresas, têm poucas chances de reaver seus depósitos, já que o controlador do banco não tem ativos suficientes para cobrir o débito.Desde a intervenção, descobriu-se uma série de irregularidades. Várias operações obscuras de concessão de empréstimos a empresas em dificuldades financeiras no Brasil foram feitas em troca de compra de papéis e investimentos nas empresas sediadas em paraísos fiscais. Descobriu-se também que os bens mais valiosos do banqueiro, como sua mansão no bairro do Morumbi, avaliada em R$ 50 milhões, estavam em nome de empresas situadas em paraísos fiscais.Na maioria das empresas, a mulher do banqueiro, Márcia Cid Ferreira, aparece como a principal executiva. Pouco antes de o BC intervir em seu banco, Ferreira iniciou uma ambiciosa operação para transformá-lo num banco de varejo.Este texto foi corrigido com troca de informação. O ex-banqueiro foi para Guarulhos, e não Tatuapé, como informado anteriormente.

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