Edemar Cid Ferreira tem habeas corpus negado

Preso pela Polícia Federal desde a manhã da última sexta-feira, o ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira teve, por volta das 3 horas desta madrugada, indeferido seu pedido de habeas corpus pela desembargadora do Tribunal Regional Federal em São Paulo (TRF/SP) Ana Maria Pimentel. Edemar é dono do Banco Santos, que está sob intervenção do Banco Central e teve sua falência decretada pela Justiça. Sua prisão preventiva foi decretada pelo juiz da 6ª Vara Criminal Federal em São Paulo, Fausto De Sanctis, a pedido do Ministério Público. A legação foi a de que o ex-banqueiro havia escondido obras de arte do acervo que mantinha em sua mansão, na sede do banco e em um galpão no bairro do Jaguaré, na zona oeste da capital, que deveriam ter sido entregues à Justiça. Edemar também é acusado de obstrução das investigações.Alegando que a prisão é ilegal e que os quadros configuram uma questão civil, não implicando em prisão, seu advogado, Arnaldo Malheiros Filho, havia entrado com o pedido de habeas corpus.Seqüestro Em fevereiro do ano passado, a Justiça decretou o seqüestro das obras de arte do ex-banqueiro. Para o juiz De Sanctis, a preservação do acervo transcende a simples função de ressarcimento dos credores do Banco Santos. Ele argumenta que "possuem valor inestimável, histórico, cultural e artístico para a humanidade de tal forma que o seu eventual valor econômico não é o mais relevante".Edemar foi preso em sua residência e encaminhado à Delegacia de Combate aos Crimes Financeiros da Polícia Federal, em São Paulo. Hoje se encontra na carceragem da PF, no bairro da Lapa, zona oeste da capital. Denúncias Juntamente de 18 ex-dirigentes do Banco Santos, Edemar foi denunciado pelo Ministério Público Federal por crimes de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e gestão fraudulenta. Ele e o ex-superintendente do banco Mário Arcângelo Martinelli respondem também a processo por manterem contas ilegalmente no exterior.O Banco Santos está sob intervenção do Banco Central desde maio de 2004. A decisão foi tomada com base no fato de os ativos da instituição não cobrirem 50% das dívidas com seus credores. Por esse motivo e pelo insucesso das negociações que viabilizariam uma solução para a reabertura do banco, o BC providenciou a liquidação da instituição. A falência foi decretada em setembro do ano passado, pelo juiz da 2ª Vara de Recuperações e Falências, Caio Marcelo Mendes de Oliveira. Além das dívidas serem superiores ao dobro do crédito, o juiz considerou graves as irregularidades na administração, apuradas pelo inquérito instaurado pelo BC.

Agencia Estado,

29 de maio de 2006 | 06h07

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