Edemar pode abrir mão de controle do Banco Santos

O advogado de Edemar Cid Ferreira, controlador do Banco Santos, Sérgio Bermudes, afirmou que seu cliente "está disposto a abrir mão" da propriedade da instituição, caso a medida seja necessária para viabilizar a recuperação financeira da empresa e conseqüente fim da intervenção decretada pelo Banco Central (BC) em novembro.Segundo Bermudes, o dono do Santos não tem condições de capitalizar o banco, uma das condições essenciais manifestadas pelo comitê de credores coordenado pela KPMG, que possui cerca de R$ 500 milhões em recursos a receber. "Como ele vai fazer aportes se não tem patrimônio? O patrimônio que possui são as ações da instituição", comentou.A Procid Participações e Negócios, controladora do Banco Santos, informou hoje em comunicado que os credores responsáveis por R$ 1,749 bilhão dos R$ 2,43 bilhões dos recursos renegociáveis aderiram à fase 1 "do projeto de recuperação" da instituição.No dia 29 de dezembro, a consultoria Valora, contratada por Edemar Cid Ferreira, apresentou aos credores uma proposta, dividida em duas fases. A primeira delas sugeria uma espécie de moratória de seis meses sem saques de recursos. Na segunda etapa, seria definido o modelo de reestruturação da instituição, no qual os credores determinariam qual seria o novo tamanho do Banco Santos e como funcionaria após a intervenção do BC. Para essa etapa posterior, cogita-se a hipótese dos credores converterem em participação societária no banco parte do capital que tinham investido no banco.No texto publicado nos jornais, a Procid diz que "permanece empenhada em propor e discutir alternativas de renegociação com todos os credores financeiros do Banco, bem como com todos os seus devedores". O informativo reitera que está interessada em "agregar" os credores que ainda não aderiram a espécie de moratória sugerida em 29 de dezembro.A Procid também manifestou que entrará em contato com o BC para formalizar a "continuidade do regime de intervenção", a fim de iniciar a recuperação do banco Santos. O regime de intervenção, iniciado em 12 de novembro, tem um prazo de seis meses, que pode ser prorrogado por mais um semestre. "Vamos conversar com o Banco Central com o propósito exclusivo de encontrar uma boa solução para todos. O senhor Edemar Cid Ferreira está fazendo um esforço hercúleo para que isso ocorra o mais rápido possível", comentou Bermudes.

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