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São Paulo ganha o primeiro posto de recarga ultrarrápida para carros elétricos

Projeto é resultado da parceria das montadoras Volkswagen, Audi e Porsche com a EDP, que prevê investimento de R$ 33 milhões para a instalação de 30 eletropostos no País até 2022

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2020 | 12h49

Em parceria com empresas de energia, montadoras seguem investindo na ampliação de postos de recarga na tentativa de criar infraestrutura para atrair consumidores para os veículos elétricos e híbridos plug-in, modelos que a indústria automobilística aposta ser o futuro do setor.

Nesta quarta-feira, 21, as fabricantes Volkswagen, Audi e Porsche, todas pertencentes ao mesmo grupo, inauguraram, em parceria com a empresa de energia EDP, o primeiro de 30 eletropostos públicos de carregamento ultrarrápido previstos em até três anos para o Estado de São Paulo - um investimento compartilhado de R$ 32,9 milhões.

A cidade escolhida foi Caraguatatuba, no litoral norte paulista, e a estação foi instalada no Shopping Serramar. Segundo a EDP,  por enquanto é o único desse tipo na América do Sul. O tempo médio de recarga é de cerca de 15 minutos para 100 quilômetros de autonomia no carregador ultrarrápido.

Outros dez eletropostos começarão a ser instalados até o fim do ano e os demais até 2022. Segundo Nuno Pinto, responsável pela área de Mobilidade Elétrica e Serviços ao Cliente da EDP Smart, o projeto prevê a instalação de estações nas principais estradas que ligam São Paulo às cidades do interior, assim como ao Rio de Janeiro, Vitória (ES), Curitiba (PR) e Florianópolis (SC). A cobertura total soma 2,5 mil quilômetros de extensão.

Cada posto terá dois carregadores (aparelhos similares aos caixas eletrônicos de bancos), capazes de oferecer abastecimento rápido ou semirrápido (cerca de duas horas) para três veículos simultaneamente. Veículos elétricos e híbridos de qualquer marca podem ser abastecidos, desde que seus carregadores sejam compatíveis. As empresas ABB, Electric Mobility Brasil e Siemens são as fornecedoras das soluções de carregamento.

Inicialmente o abastecimento será gratuito, mas as empresas estudam um modelo de cobrança, de acordo com o estabelecido pelo programa Plug&Go aprovado no ano passado na Chamada Pública da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). “Existe um conjunto de estudos a serem desenvolvidos para adequar o custo a cada local, pois o preço será diferente, a exemplo do que ocorre com outros tipos de abastecimento”, informa Nuno Pinto.

Entre as rodovias que vão receber os novos postos estão Régis Bittencourt, Fernão Dias, Bandeirantes e Anhanguera. Algumas delas, como a Bandeirantes e a Anhanguera, já têm postos de recarga, mas não com carregadores ultra rápidos. O grupo está desenvolvendo um aplicativo para indicar os locais onde estão as estações.

O projeto tem parceria com o grupo de estudos do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IE/UFRJ) - Gesel, que fará a coordenação dos próximos passos para aprimorar o serviço. "O setor de transporte sempre foi considerado na transição energética porque é um dos principais setores que emitem gases de efeito estufa", afirmou o coordenador geral do Gesel, Nivalde de Castro.

Segundo ele, o projeto da EDP é o mais relevante dos 35 aprovados pela Aneel no programa P&D Mobilidade Elétrica.

Infraestrutura motiva mercado de elétricos

Por enquanto, o projeto está em andamento apenas em São Paulo, onde a EDP tem atuação, mas as montadoras avaliam parcerias com outra empresas para estender projetos a outros Estados. “Há cada vez mais interessados em adquirir veículos elétricos no Brasil e a ampliação da infraestrutura de recarga no País é uma motivação adicional para que concretizem essa decisão”, afirma Johannes Roscheck, presidente da Audi do Brasil. A empresa iniciou em abril a venda do e-tron, primeiro carro 100% elétrico da marca.

“Um dos fatores de atratividade dos carros elétricos para os consumidores é a criação de uma rede de carregamento tão ampla e abrangente quanto a existente para veículos com motor a combustão”, acrescenta o diretor de Vendas da Porsche Brasil, Werner Schaal. A marca começa a vender no País o Taycan, seu primeiro modelo esportivo elétrico.

Segundo Pablo Di Si, presidente da Volkswagen América Latina, “com a inauguração deste primeiro eletroposto, vamos começar a oferecer uma estrutura de qualidade e conveniência para nossos clientes e demais usuários, bem como incentivar que as pessoas se sintam confiantes e seguras para optar por um automóvel híbrido ou elétrico nos próximos anos”. Por enquanto, a marca só comercializa o Golf GTE híbrido plug-in no mercado brasileiro.

Outras fabricantes e importadoras locais também estão investindo em infraestrutura para carros elétricos, como a BMW, com instalação de postos, assim como a Volvo que, além de pontos de recarga inaugurou no mês passado no bairro do Brooklin, na capital paulista, o primeiro estacionamento gratuito para veículos híbridos e elétricos no País.

Vendas de elétricos devem crescer

Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea) mostram que, até setembro, foram vendidos no Brasil 13.292 veículos elétricos e híbridos. Em todo o ano passado foram 11.858 unidades. Segundo analistas, um dos entraves para o mercado é o alto preço desse tipo de veículo, além da infraestrutura.

Pesquisa feita pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), indica que o mercado nacional desse tipo de veículo deve crescer de 300% a 500% nos próximos cinco anos. Já um estudo do Boston Consulting Group aponta para expectativa de que o número de elétricos no País atinja 2 milhões de unidade em 2030.

No mundo todo, relatório da Bloomberg New Energy Finance (BNEF) estima que, até 2040, a frota de elétricos será de cerca de 56 milhões de carros. Prevê ainda que mais da metade dos veículos novos vendidos no mundo em 20 anos serão elétricos. / COLABOROU DENISE LUNA

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