EDP vai tornar Aparecida a primeira cidade com energia 'inteligente' do País

Aparecida, a capital do turismo religioso do Brasil, ganhará agora um novo rótulo. Localizado a 168 quilômetros de São Paulo, no Vale do Paraíba, o município será o primeiro a ser totalmente atendido por medidores eletrônicos (smart grid) no País. O projeto, chamado de InovCity, será lançado hoje pelo grupo português EDP e inclui a instalação de painéis solares em residências e de lâmpadas LED nas ruas, entre outras medidas.

RENÉE PEREIRA, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2011 | 03h05

Serão instalados gratuitamente 15,3 mil medidores eletrônicos na cidade, que vão transmitir em tempo real todas as informações de cada consumidor. Os novos equipamentos vão eliminar a tradicional leitura manual feita de unidade em unidade e, dessa forma, evitar erros de medição. Outro benefício do smart grid é melhorar a qualidade da energia entregue aos consumidores.

A partir do monitoramento online, a distribuidora terá capacidade de detectar de forma imediata a interrupção de energia em determinada área e restabelecer o fornecimento de luz sem deslocar equipes de emergência. É claro que, nesse último caso, a rede precisa ter capacidade (redundância de linhas) para deslocar energia de uma área para outra.

No caso da empresa, um dos principais benefícios será a redução de fraudes e roubos de energia e reduzir os custos de manutenção da rede, afirma o vice-presidente da EDP, Miguel Setas. Segundo ele, até julho do ano que vem, toda a rede de Aparecida estará funcionando com os smart grids. O executivo destaca, entretanto, que o projeto InovCity, inspirado em uma experiência feita na cidade portuguesa de Évora, vai além dos medidores eletrônicos.

Em áreas predeterminadas, a iluminação pública ganhará lâmpadas LED, que reduzem o consumo de energia e duram mais tempo. A empresa também fará doação de lâmpadas para os consumidores residenciais. Comunidades carentes serão contempladas com geladeiras e chuveiros novos. Há ainda planos para instalação de painéis solares em residências. A medida faz parte de testes de geração distribuída, que tornaria possível transferir energia de uma residência para outra.

Para completar o projeto, diz Setas, a empresa negocia com a prefeitura da cidade locais para a instalação de pontos de recarga para veículos elétricos. Num primeiro momento, a expectativa é doar motocicletas e bicicletas elétricas para o município. Os veículos poderiam ser usados por funcionários públicos.

Custo. Todo o projeto vai custar cerca de R$ 10 milhões, sendo 80% do montante com a compra dos medidores. Os equipamentos serão produzidos pela brasileira Ecil. A instalação dos smart grids é apenas o começo de uma série de benefícios futuros, de acordo com Setas.

Ele explica que, com o monitoramento online da rede, será possível criar tarifas diferenciadas para os clientes de acordo com o horário de consumo. Mas a adoção desse tipo de medida, assim como a expansão do projeto para outras cidades, ainda depende de regulamentação por parte da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que já demonstrou interesse em antecipar a instalação de medidores eletrônicos no Brasil. Atualmente, há uma consulta pública em andamento na internet sobre as novas regras.

Enquanto isso, Aparecida será testada num sistema totalmente integrado. Além do simbolismo religioso, a cidade foi escolhida por causa das características semelhantes às da portuguesa Évora. "Na nossa área de concessão no Brasil, Aparecida tinha escala adequada para a nossa experiência", diz Sentas.

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