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Efeito Bernanke sustenta alívio nos mercados

Carta de presidente do Fed é responsável por clima favorável; incertezas, porém, continuam

João Caminoto, da Agência Estado,

30 de agosto de 2007 | 08h21

Dando continuidade a seu comportamento gangorra das últimas semanas, os mercados internacionais estendem nesta quinta-feira, 30, o clima positivo iniciado na quarta, com as bolsas de valores asiáticas fechando em alta e as européias iniciando suas sessões na mesma direção.   Veja também: Comentários de Bernanke geram recuperação das ações na Ásia   O iene, principal financiador dos carry trades, perdeu terreno diante de várias outras moedas, um sinal claro de recuo na aversão ao risco. O sentimento do dia, como observou um economista de um fundo britânico da City, é que a crise no crédito nascida no setor de hipotecas subprime dos Estados Unidos será contida e não vai contagiar a economia real.   Às 7h44, o FTSE-100, de Londres, subia 0,24%; o CAC-40, de Paris, 0,58% e o DAX, de Frankfurt, 0,10%. Os futuros de Nova York estão em baixa, com o S&P 500 cedendo 0,56% e o Nasdaq 100 futuro, 0,20%.   Um fator decisivo para esse clima favorável foi a divulgação, na quarta-feira, de uma carta do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, afirmando que está "preparado para agir no que for necessário" caso a economia norte-americana esteja ameaçada. Muitos investidores interpretaram a mensagem de Bernanke como um sinal de que o Fed deve reduzir os juros em setembro.   Mais vítimas   Mas apesar do clima de alívio predominante, poucos analistas arriscam prever que o pior da volatilidade já passou. A crise do subprime continua fazendo vítimas entre instituições financeiras. Na quarta, o fundo hedge britânico Cheyne Capital Management informou que poderá ter que liquidar seus ativos por causa de perdas acumuladas em veículos de investimento estruturados.   Já o fundo hedge australiano Basis Yield Alpha entrou em falência nos Estados unidos por causa de seus prejuízos com investimentos vinculados ao subprime. Nos mercados, é dado quase como certo que novos fundos em dificuldades emergirão nas próximas semanas e meses.   Um contraponto ao entusiasmo com as declarações de Bernanke foi dado num artigo do colunista Greg Ip, do jornal Wall Street Journal. Ip é visto por muitos como um dos principais porta-vozes do Fed na imprensa. O colunista ressaltou que Bernanke quer evitar que a reação do Fed seja vista como um ato de proteção aos mercados financeiros. Bernanke, acrescentou Ip, quer deixar claro que qualquer corte nos juros terá objetivos econômicos claros.   "Isso já deveria estar claro há muito tempo, diante da relutância do Fed em reagir á turbulência do mercado com um corte nos juros, e sugere que a curva de juros nos Estados Unidos está precificando um relaxamento monetário excessivo, a menos que os atuais problemas se agravem", disse Adrian Schmidt, economista do Royal Bank of Scotland. "Até agora, não está claro qual será o impacto econômico da crise no mercado financeiro."   Segundo Schmidt, há uma boa possibilidade de um corte dos juros pelo Fed quando o crescimento econômico se enfraquecer. "Mas o mercado pode se decepcionar pois está precificando um corte de cerca de 35 pontos-base até o final de setembro", observou.   O calendário de indicadores nos Estados Unidos desta quinta é considerado relevante na calibragem do sentimento nos mercados. Entre os destaques, está a revisão do PIB do segundo trimestre, os pedidos iniciais de auxílio-desemprego, e o índice de preços de imóveis residenciais OFHEO do segundo trimestre.  

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