'Efeito clima' influencia balanços no 1º trimestre

Geradoras foram beneficiadas, enquanto distribuidoras tiveram alta de custo; houve alta na venda de bebidas, mas dificuldades para boi engordar no pasto

EULINA OLIVEIRA, O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2014 | 02h08

O verão atípico, com escassez de chuvas e altas temperaturas, teve impacto em balanços de empresas abertas no primeiro trimestre. No setor elétrico, o clima beneficiou as geradoras e prejudicou as distribuidoras, por causa da alta do preço da energia. No restante da economia, também houve resultados mistos. O frigorífico Marfrig reportou dificuldades na engorda dos bois para abate e ficou no prejuízo, enquanto a gigante das bebidas Ambev teve resultado melhor ao atender à necessidade dos consumidores de um "refresco" do calor.

No setor elétrico, a Light viu seu lucro crescer 130% em relação a 2013, para R$ 180,5 milhões. A empresa, que atua nos segmentos de distribuição, geração e comercialização, viu o consumo de energia em sua área de atuação subir 7,8% em relação ao primeiro trimestre do ano passado. Cesp e Eletrobras foram outras beneficiadas pelo elevado preço da energia entre janeiro e março.

Mas, para quem atua somente no segmento de distribuição, o cenário foi desfavorável, apesar do socorro do governo por meio de repasses de recursos. No caso da AES Eletropaulo, o aumento de 17,3% nas despesas com a compra de energia foi o principal motivo para o prejuízo de R$ 183,5 milhões no primeiro trimestre.

Na área de saneamento, a falta de chuvas e a queda no nível dos reservatórios de água levou a Sabesp a registrar lucro líquido de R$ 477,6 milhões no primeiro trimestre, queda de 3,7% em relação ao mesmo período de 2013. O resultado ficou acima das expectativas do mercado. Segundo o balanço da empresa, as despesas maiores com obras emergenciais foram compensadas pela alta de 4,9% no consumo, reflexo das temperaturas acima da média.

Alimentos e bebidas. As altas temperaturas, no entanto, ajudaram as vendas de bebidas. A Ambev viu o lucro líquido atribuído ao controlador aumentar 76,6%, para R$ 2,546 bilhões, no primeiro trimestre. As operações locais da Ambev registraram alta de 8,6% no volume vendido entre janeiro e março.

O calor em excesso, no entanto, teve impacto negativo para o frigorífico Marfrig, que fechou o período de janeiro a março com perdas de R$ 96,4 milhões, mais do que o dobro das perdas antecipadas por analistas consultados pela Reuters. Segundo a empresa, a falta de chuvas prejudicou o desenvolvimento de pastos - fonte de alimento de mais de 90% do seu plantel de animais -, reduzindo o número de bois prontos para o abate, especialmente na região Sudeste.

Copa do Mundo. No setor de eletroeletrônicos, produtos como televisores, smartphones e tablets animaram as vendas, em antecipação à realização da Copa do Mundo. A Via Varejo, empresa do Grupo Pão de Açúcar que reúne Ponto Frio e Casas Bahia, teve alta de 57,4% no lucro, para R$ 179 milhões. Já o Magazine Luiza registrou lucro líquido de R$ 20,5 milhões no primeiro trimestre de 2014, resultado 25 vezes superior ao apurado pela companhia no mesmo período de 2013.

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