Efeito da alta do juro na economia ainda é parcial, diz BC

Segundo a ata do Copom, inflação mostra resistência e efeito do juro ainda está 'em parte' por se materializar; na última reunião, BC manteve a taxa Selic em 11% ao ano

Adriana Fernandes, Laís Alegretti, Victor Martins, Economia & Negócios

05 de junho de 2014 | 08h30

Para justificar a parada no processo de aumento da taxa básica de juros, o Banco Central afirmou que os efeitos de alta Selic nos últimos meses "em parte" ainda estão por se materializar na economia brasileira. É o que mostra a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada na manhã desta quinta-feira, 5. Segundo ata, a elevada variação dos índices de preços ao consumidor nos últimos doze meses contribui para que a inflação ainda mostre resistência.

"Concorrem para isso dois importantes processos de ajustes de preços relativos ora em curso na economia - realinhamento dos preços domésticos em relação aos internacionais e realinhamento dos preços administrados em relação aos livres", diz o documento.

Os integrantes do Copom reconhecem que os ajustes de preços relativos têm impactos diretos sobre a inflação e reafirmam sua visão de que a política monetária pode e deve conter os efeitos de segunda ordem deles decorrentes. O BC destaca na ata que para combater essas e outras pressões inflacionárias, nos últimos doze meses as condições monetárias foram apertadas. 

"Mas o Comitê avalia que os efeitos da elevação da taxa Selic sobre a inflação, em parte, ainda estão por se materializar", reforça a ata. O BC repetiu na ata avaliação de que é plausível afirmar que, na presença de níveis de confiança relativamente modestos, os efeitos das ações de política monetária sobre a inflação tendem a ser potencializados. 

Na reunião do Copom, o BC decidiu manter a Selic em 11% ao ano.Com a decisão, a autoridade monetária encerrou o mais recente ciclo de alta dos juros, que elevou a taxa básica em 3,75 pontos porcentuais desde abril de 2013, quando a Selic estava em 7,25% ao ano, menor nível da história. 

Inflação. A projeção para a inflação em 2014 caiu, mas segue acima do centro da meta do governo, de 4,5%. Para 2015, no cenário de referência, a projeção de inflação também recuou em relação ao valor considerado na reunião de abril, mas também permanece acima do centro da meta. 

No cenário de mercado, a projeção para 2014 também caiu em relação ao valor considerado na reunião de abril, porém permanece acima da meta para o IPCA. Para 2015, a projeção de inflação neste cenário foi mantida "relativamente estável" e continua superior ao valor central da meta. 

No Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado no fim de março, o BC informou que a expectativa de inflação ao final de 2014, pelo cenário de referência, era de 6,1%, embora ainda não considerasse os juros em 11%. No cenário de mercado, a projeção do RTI para o final de 2014 era de 6,2%. 

Entre os pontos que ainda devem pressionar a inflação, está o reajuste do preço da gasolina. O Banco Central aumentou a projeção de reajuste de 0,6% para 1,8% em 2014. 

Além da gasolina, a ata citou o preço de energia. O Banco Central passou a considerar um impacto maior das tarifas de energia na inflação até o fim do ano. O Copom aumentou de 9,5% para 11,5% a estimativa de aumento nos preços de eletricidade em 2014. O BC considera, ainda, que ocorrerá redução de 4,2% nas tarifas de telefonia fixa. A previsão anterior era de estabilidade.

A projeção de reajuste dos preços administrados, tanto para 2014 quanto para 2015, foi mantida em 5%. Segundo a ata da última reunião, a projeção para este ano considera variações de preços, ocorridas até abril, de 1,8% no preço da gasolina e de 0,5% no gás de bujão. Na ata referente à reunião anterior, esse valores eram, respectivamente, de 0,6% e 0,3%, considerando variações ocorridas até fevereiro.

Dólar e juro. O Copom informou que reduziu sua premissa para o câmbio para R$ 2,20 pelo cenário de referência. Na ata anterior, divulgada em abril, a projeção era de R$ 2,30. O valor considerado para o dólar está um pouco abaixo do valor negociado no dia em que o colegiado decidiu encerrar o ciclo de aperto monetário, deixando a Selic em 11% ao ano, quando o dólar fechou em R$ 2,2330. No mercado futuro, o dólar para junho fechou no dia da reunião do Copom, na semana passada, em R$ 2,2350. Para a taxa básica de juros, o colegiado ampliou a premissa considerada de 10,75% para 11% ao ano.

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