Efeito de Selic maior sobre dívida é de R$ 2,9 bi em 12 meses

Segundo secretário do Tesouro Nacional, impacto será na parcela da dívida indexada à taxa de juros

Agência Estado e Reuters,

17 de abril de 2008 | 11h52

O aumento da taxa básica de juros do País, a Selic, para 11,75% ao ano terá impacto de R$ 2,9 bilhões na parcela da dívida pública indexada à Selic em 12 meses, afirmou nesta quinta-feira, 17, o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin. Em depoimento à Comissão de Orçamento da Câmara, ele disse que não é possível mensurar o impacto da elevação dos juros básicos na dívida como um todo, porque ela é remunerada por vários indicadores. Mas ressaltou que hoje a parcela vinculada à Selic é bem menor do que no passado.  Veja também: Em decisão unânime, Copom sobe taxa Selic para 11,75% Professor do IBMEC-SP fala sobre impacto do juro maior para os investimentos   Compare a taxa básica da economia com os juros cobrados ao consumidor Confira a evolução da Selic desde o início do governo Lula   Veja especial sobre a crise dos alimentos  Cronologia da crise financeira  Entenda a crise nos Estados Unidos   Augustin disse ainda que não é possível avaliar o efeito da nova Selic sobre o câmbio porque isso "depende de muitas variáveis". Na véspera, o Comitê de Política Monetária (Copom) surpreendeu a maioria dos economistas com um aumento de 0,50 ponto percentual da Selic - o que aumenta o diferencial entre o juro doméstico e o praticado no exterior.  Segundo o secretário do Tesouro, o aumento não muda a estratégia da instituição em relação à dívida pública, prevista no Plano Anual de Financiamento (PAF). Ele afirmou que o Tesouro continua buscando aumentar a participação dos papéis prefixados e também de atrelados a índices de preços, estratégia que levou à redução da parcela vinculada à Selic nos últimos anos para 31,8% da dívida.  "Vamos seguir no nosso plano", disse Augustin, destacando que a melhora no perfil da dívida reduz o impacto da alta da Selic no estoque de endividamento público. Augustin também descartou uma elevação do superávit primário e uma redução nos investimentos como forma de responder à alta nos juros. Crise Ele afirmou também que o governo não tem intenção de alterar o superávit primário de 3,8% do PIB para 2008 e 2009. Em relação à economia brasileira, diante da crise internacional, Augustin destacou que o Brasil está numa rota importante de crescimento, com uma forte expansão dos investimentos e que por isso tem convicção de que o processo de crescimento vai continuar.  "O Brasil tem reagido de forma positiva em relação à turbulência externa internacional", disse Augustin. Questionado sobre a evolução da taxa de câmbio, Augustin disse apenas que o governo vem adotando medidas para melhorar a competitividade da economia, como foi o caso da retirada da cobrança do IOF sobre exportações.

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