Efeito do câmbio nos produtos industriais derrubou IGP-M

O efeito benéfico da valorização do Real ante o dólar nos produtos industriais no atacado foi decisivo para o recuo do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) de junho, que teve deflação de 0,44% ante queda de 0,22% em maio. A avaliação é do coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Ele lembra que o câmbio tem influenciado, há algum tempo, os preços de insumos industriais ligados direta ou indiretamente à moeda norte-americana. Quadros negou que a deflação no IGP-M, a segunda consecutiva nesse tipo de indicador, e a quarta consecutiva em um IGP fechado, seja reflexo de recessão ou fraqueza econômica. O economista lembra que, em meados de 2003, o cenário da inflação medida pelos IGPs também foi afetada por uma forte valorização cambial, que provocou quedas de preços nos insumos industriais e nas commodities agrícolas. No caso do IGP-M de junho, Quadros lembrou que os preços dos industriais no atacado passaram de alta de 0,13% em maio para queda de 0,82% em junho. E, embora os preços dos produtos agrícolas tenham apresentado queda menos intensa, no mesmo período, (de -3,42% para -1,56%) devido principalmente a uma reação de alta nos alimentos in natura (de queda de 2,54% para alta de 2,17%), os industriais representam 75,13% do total da inflação no atacado. E o Índice de Preços por Atacado (IPA) representa 60% do IGP-M. "O IPA foi o principal pilar da deflação (do IGP-M)", disse.Materiais para manufaturaEm junho, houve forte recuo de preços no segmento de materiais para manufatura no atacado (de alta de 0,10% para queda de 1,96%), que está sendo beneficamente influenciado pelo câmbio. Esse cenário pode contribuir para que os preços industriais no atacado continuem em desaceleração, na avaliação de Salomão Quadros. Ele explica que esse segmento é o que fornece insumos para indústria, e seu impacto abrange vários setores do atacado. Além disso, o técnico considerou que o perfil do segmento só poderia ser revertido se houvesse uma brusca desaceleração cambial do Real ante o dólar, que puxaria para cima os preços de vários insumos industriais relacionados à moeda norte-americana - o que não parece ser o caso, no momento. Ao comentar o cenário dos preços dos produtos industriais no atacado, o economista da FGV comentou ainda que os preços dos combustíveis se apresentam comportados. Isso porque o preço do álcool combustível continua em queda (-6,53%), o que contribuiu para uma deflação mais intensa nos preços do segmento combustíveis e lubrificantes no atacado (de -0,38% para -0,58%).

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