Efeito do dólar na inflação começa a arrefecer, diz FGV

O efeito da alta do dólar sobre a inflação começou a arrefecer, de acordo com o economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, ao avaliar os dados do IGP-10 de novembro. A alta do Índice Geral de Preços-10 recuou de 0,78 em outubro para 0,73 por cento neste mês. "O efeito do dólar na margem já não é tão forte assim," disse ele a jornalistas. O economista citou alguns exemplos, entre eles a celulose que desacelerou a alta de 13,20 para 4,36 por cento e dos produtos químicos, de 4,23 para 2,73 por cento. Ele aposta que outros produtos ligados direta ou indebitamente ao dólar perderão força nas próximas apurações. "Os produtos da cadeia química não vão se sustentar com o preço do petróleo caindo desse jeito", ressaltou. A deflação de 0,85 por cento nos preços agropecuários no atacado levou à desaceleração na taxa do IGP-10 de outubro para novembro. A deflação da soja (de +2,49 por cento em outubro para -2,91 por cento) foi determinante para baixar os preços no atacado e no índice geral. Itens como milho (-5,80 por cento); e café (-2,13 por cento) também derrubaram os preços agropecuários. "Eles refletem o movimento de queda das comoditties no mercado internacional", afirmou, Quadros ao destacar que a desacelaração da cadeia do aço também ajudou no recuo da taxa. No varejo, a forte aceleração das carnes bovinas (de 0,88 por cento para 5,15 por cento em novembro) levou à disparada da inflação entre outubro e novembro (de 0,10 para 0,49 por cento). TAXAS MENORES O recuo da inflação pelo IGP-10 em novembro pode sinalizar um cenário de IGPs mais baixos esse mês ante o mês anterior, segundo Quadros. Ele destaca que o impacto do câmbio tende a diminuir, até porque o câmbio se estabilizou nas últimas semanas. "Até o momento, não temos indicação que o dólar possa voltar a subir conforme ocorreu em outubro, principalmente. Além disso, as comoditties estão caindo no cenário externo", disse. (Por Rodrigo Viga Gaier; Reportagem adicional de Renato Andrade; Edição de Vanessa Stelzer)

REUTERS

13 de novembro de 2008 | 15h51

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