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Efeito maior da crise virá em 2008, diz Mendonça de Barros

Para economista, a contração do crédito já começou a provocar uma menor aceleração na demanda interna

Marcia de Chiara, do Estadão,

25 de agosto de 2007 | 21h14

O principal impacto da crise financeira internacional na economia real brasileira será um corte na aceleração do consumo doméstico. A avaliação é do economista José Roberto Mendonça de Barros, sócio da MB Associados, para quem a crise não terminou. "Haverá uma perda de ritmo de crescimento da demanda, mas o nível ainda será muito bom." Segundo ele, a perda de ritmo vai ocorrer por meio da contração do crédito, que começou discretamente, com a elevação dos juros nos financiamentos com prazos mais longos.  Veja também:A cronologia da crise financeira   Mesmo com a contração do crédito, ele acredita que o fim do ano não será prejudicado. Diz, no entanto, que a composição da demanda para o Natal mudou, com maior parcela de bens de menor valor que dependem menos dos financiamentos de longo prazo. O maior impacto será sentido em 2008. A seguir, a entrevista que ele concedeu ao Estado. Qual é o impacto da crise nos mercados internacionais? O que sabemos hoje são três coisas. Primeiro é que temos uma crise financeira de grandes proporções, tanto é que houve intervenção dos bancos centrais. É a maior desde o ataque às Torres Gêmeas em 2001. Em segundo lugar, a crise financeira não terminou ainda porque há muito prejuízo embutido nas carteiras que não veio à luz.  Por último, provavelmente o banco central americano, o Fed, vai antecipar a baixa de juros. Uns acham que será na reunião de outubro, outros na reunião de setembro. E uma parte do mercado acha que é agora. Eu não acredito nessa última hipótese, razão pela qual os mercados continuariam nervosos. É possível que haja baixa de juros antes do fim do ano, o que ajudaria um pouco acalmar as coisas.  Por outro lado, nós temos que, do lado real da economia americana, todo o conglomerado em torno da construção civil está em franca recessão. Nesse conglomerado estão desde os bancos financiadores, responsáveis pela hipotecas, que estão despedindo gente em grandes proporções, os serviços de corretagem e publicidade, as construtoras, as empresas fornecedoras de material de construção e, finalmente, as empresas que vendem móveis e material de decoração.  Não é por acaso que a Home Depot, que é a maior dessas redes, avisou que as suas vendas serão muito mais fracas do que o esperado. A mesma coisa fez o Wal-Mart. Já existe algum custo no lado real da economia americana que vai afetar mais o ano que vem do que este ano. Há um relatório de um banco americano reduzindo em um ponto porcentual a taxa de crescimento dos Estados Unidos para o ano que vem. O futuro vai dizer se esse efeito do lado real da economia vai se espalhar para outros setores além do grupo construção. A crise pode se espalhar para outros setores? Pode, por dois caminhos. Um caminho é pelo consumidor. Se o consumidor se retrair ainda mais, pode ocorrer queda de vendas de outros setores que não estão ligados ao conglomerado da construção. O Índice de Expectativa do Consumidor, calculado pela Universidade de Michigan, caiu significativamente. O futuro vai dizer se isso vai acontecer. Esse é um caminho, o caminho da demanda. Há também o caminho do lado da oferta. Toda crise financeira provoca por um período uma contração de crédito. Quando se tem uma contração de crédito mais ou menos geral, que é o que está ocorrendo, empresas que não têm nada a ver com o problema original podem ser prejudicadas. Tendo menos crédito, pode-se postergar decisões de investimento. Aí a economia seria afetada do lado real por um outro caminho: o investimento fica menor, além do consumo. Mas isso nós vamos saber mais adiante. E o impacto nos outros continentes? Um impacto menor vai existir na Europa. Os bancos alemães foram muito machucados com essa crise. A Alemanha é um país importante. A mesma coisa aconteceu com outras regiões da Europa. Certamente não será tão grande quanto o impacto nos Estados Unidos, mas alguma coisa acontecerá. A grande dúvida é sobre o que vai acontecer na Ásia. A minha impressão é que se a crise ficar do tamanho que está hoje, a Ásia será pouco afetada. Isso é importante para o Brasil porque, neste caso, os preços de commodities vão ficar razoáveis, com reflexo nas nossas exportações. Se a queda da economia americana for maior do que essa que nós estamos esperando, provavelmente a Ásia vai pagar o preço. Mas isso só o futuro vai dizer. Quais serão os reflexos no Brasil? No Brasil tem coisas que já estão acontecendo. A mais importante é o fato de que os juros prefixados, tantos os papéis do Tesouro como as operações na BM&F subiram. Os juros de três, quatro anos, que estavam numa faixa de 10% ao ano, já ultrapassaram os 12,20% ao ano, subiram quase 2,5 pontos porcentuais. E isso já está produzindo efeitos porque o crédito para a compra de automóveis, por exemplo, é baseado exatamente nesses juros mais longos. Para que um banco ou uma financeira possam financiar um carro em cinco anos, eles têm de fazer captações por prazos mais longos. E quando o custo do dinheiro sobe, isso acaba aparecendo rapidamente nas tabelas. Os financiamentos de automóveis são afetados não só nos juros que terão de subir, mas o maior impacto para o consumidor é o encurtamento de prazos. Quem acompanha o mercado de carros sabe que essa explosão na demanda tem tudo a ver com o fato de que um carro que era financiado em 40 meses passou para 50, 60, 72 meses, até 8 anos, que foi o último anúncio. Nesse setor nós já estamos tendo uma marcha à ré. Vai ocorrer uma contração de crédito? Sim. O crédito para o consumidor vai ter prazos mais curtos, ficará mais caro e será mais seletivo. Essa mudança vai ocorrer ainda este ano? Já está ocorrendo. As tabelas dos financiamentos foram mudadas na semana passada em praticamente todas as instituições financeiras. Até ter efeito pleno leva tempo. Há promoções, daqui a pouco tem mudança de modelo por causa da virada do ano. Mas esse financiamento já está encurtando. E mais: as condições gerais dos financiamentos vão ficar mais difíceis. Uma coisa que tinha ficado muito comum no mercado de automóveis era o seguinte: o consumidor chegava com o carro usado que valia, por exemplo, R$ 30 mil, tirava o carro novo por R$ 50 mil e as condições de financiamento estavam tão fáceis que ao invés de financiar R$ 20 mil, que era a diferença, as pessoas financiavam R$ 30 mil e saíam com a diferença no bolso para gastar em outras coisas. Semelhante ao subprime. O automóvel virou o nosso subprime. Esse tipo de facilidade vai se reduzir porque a percepção de risco mudou. O senhor acredita que esse encurtamento de prazos e aumento de taxas de juros vai ocorrer em outras linhas de crédito? A segunda coisa problemática é o financiamento imobiliário. Ao contrário dos automóveis, não é grande, representa 1,8% do PIB, mas é uma área de financiamento que era uma das mais promissoras. Aí afeta mais, porque para financiar uma casa em 15 anos com taxas prefixadas é preciso ter uma captação longa prefixada. Quanto mais longa, mais afetada. Isso é resultado de uma mudança fundamental nas expectativas com relação ao risco e à inflação. Até abril, maio, como o mercado estava muito mais otimista do que hoje, o juro era menor quanto mais longo o prazo. Se imaginava que a taxa de juros básica iria cair mais rapidamente e a inflação também. Então os juros por prazos mais longos eram menores do que os cobrados por prazos mais curtos. Com a situação atual, houve uma certa reversão. Os juros por prazos mais curtos ficaram menores em relação aos mais longos. Um pouco dessa subida reflete as incertezas ligadas à crise. Essa não será a taxa que vai ficar daqui a dois ou quatro meses. Mas o que ocorreu foi uma reversão em relação ao custo do dinheiro quando se olha mais para frente. E isso mexe no crédito. Aquela expectativa de que o crédito cresceria entre 20% e 25% está ultrapassada? Sim. O efeito maior dessa crise será sentido no ano que vem, pois já estamos quase em setembro. Até diminuir a demanda e afetar os créditos contratados leva algum tempo. O efeito maior será sentido no ano que vem. A previsão de crescimento para este ano está mantida? Este ano teremos um bom crescimento. A previsão para este ano é de 4,9%. O que se observou até agora foi uma aceleração da demanda. Mês a após mês, saem números de vendas do comércio calculados pelo IBGE que mostram uma demanda maior que o mês anterior e superior a igual período do ano passado. Acho que essa aceleração é que está afetada. A demanda vai ter um ritmo de crescimento bom, porém mais lento. Haverá um corte na aceleração, mas o nível da demanda ainda é muito bom. Essa mudança de ritmo vai afetar o Natal? Acho que vai afetar a composição da demanda para o fim de ano. Em princípio, se as condições de crédito pioram, os segmentos que dependem de financiamentos novos serão os mais afetados. Aqueles produtos que dependem do rendimento corrente não serão afetados. Itens que podem ser pagos com três cheques, por exemplo, não serão afetados, isto é, produtos mais leves, bens semiduráveis e não duráveis ou bens duráveis de valor unitário menor. Exemplos: celular mais simples ou eletroportáteis, produtos relativamente baratos, na faixa de R$ 200 a R$ 300, que não são financiados em prazos tão longos. O senhor disse que o maior impacto será em 2008. O senhor está revendo as projeções de crescimento para o ano que vem? Não revisamos ainda porque a crise é recente. Nossa hipótese atual é de que a exportação será relativamente pouco afetada. Se a Ásia for pouco afetada, a demanda por commodities vai se manter elevada e como as exportações brasileiras dependem fundamentalmente de commodities, a receita de exportações deve ficar tranqüila. Os produtos manufaturados da cadeia de commodities tiveram no primeiro semestre a sua receita de exportação elevada em 27,7% em dólar e a receita de exportações dos manufaturados estrito senso subiu 6,6% no mesmo período. Isso mostra que a nossa exportação depende fundamentalmente dos preços de commodities.  Naquele cenário internacional que traçamos, em princípio a Ásia será relativamente pouco afetada. No mercado interno da China o crescimento está explodindo. Se isso for verdade e se passado esse ajuste inicial das commodities elas voltarem para um patamar razoável, as exportações vão se manter. A previsão de saldo comercial de US$ 43 bilhões para este ano não foi alterada. Para 2008, a previsão é de US$ 38 bilhões. A importação vai continuar bombando, está crescendo perto de 30%. O saldo cai um pouco o ano que vem, mas na área externa não há grandes mudanças.  Os desafios dos exportadores são os mesmos de quatro meses atrás. Exemplo: o real está muito valorizado em relação ao dólar. Como o euro se valorizou em relação ao dólar, o real está mais ou menos parelho ante ao euro. Então, está melhor exportar para Europa, Oriente Médio do que para os EUA. O exportador está conseguindo segurar os negócios e redirecionando o fluxo. Isso ocorria antes da crise e vai continuar ocorrendo. Outro efeito aconteceria sobre o crédito sem essa crise. Ele é decorrente da ligeira alta das projeções de inflação, por causa dos alimentos e da Ásia mais uma vez. Se pegarmos o Índice de preços por Atacado, há sempre um quadro deste tipo. O IPA da segunda prévia de agosto foi relativamente alto, subiu 0,59%. O que puxou para cima foi o IPA agrícola, que subiu 2,29%. Os alimentos estão subindo porque no resto do mundo tem uma demanda tão forte por alimentos. Entre esses produtos estão a carne, o trigo e o leite. Por conta dessas pressões, a nossa projeção de inflação medida pelo IPCA para este ano passou de 3,5% para 3,7%. Para 2008, a projeção foi revisada de 4% para 4,3%. As revisões foram coincidentes com a crise, mas não têm nada a ver. O nível mais elevado do dólar pode ter impacto na inflação? Quando o dólar sai de R$ 1,86 e vai para R$ 2,00, ele não empurra os preços para cima, mas deixa de empurrar para baixo. Ele deixa de ser um colchão que acomoda a inflação. A implicação de uma inflação esperada maior é que, quando se faz o crédito prefixado olhando para frente, evidentemente um dos componentes é a inflação. Quando o juro estava baixinho antes da crise, ele estava baixo porque quando se olhava a inflação para frente ela era cadente, inclusive porque o dólar era cadente. E agora a inflação não é mais cadente. Ou seja, tem mais suporte essa alta do juro prefixado do que teria em outra circunstância. Isso reforça o movimento de alta do juros como algo que já aconteceu.  O que nós não mexemos foi nas projeções para o crescimento do PIB. Ao contrário dos EUA, nós não temos um setor que tenha tido uma bolha que explodiu. O Brasil está bem do lado financeiro porque o ciclo de crédito mal começou. Então, o efeito do lado real da economia, em princípio, é mais modesto. Se o PIB dos EUA cair 1%, nós vamos deixar de acelerar o nosso crescimento. A nossa previsão para 2008 é de 4,8% de crescimento do PIB, o que é bom. Mas a aceleração que vinha vindo, que levou alguns colegas a projetarem 5%, 5,3%, eu acho que está fora do ar. Mas isso não quer dizer o oposto: que o PIB vá cair de forma expressiva, a menos que dentro de alguns meses se constate que o estrago na economia dos EUA tenha sido maior que o inicialmente previsto. O ministro Mantega diz que a demanda interna está muito forte e que o País tem US$ 160 bilhões de reservas para resistir à crise, mas por esse raciocínio do crédito, uma parte da demanda interna será afetada? Sim. É a aceleração da demanda interna que será afetada. Isso não significa que a demanda interna vá tomar um tombo. Não é isso por ora. Na verdade, se a economia mundial ficar dentro do quadro previsto, também a demanda externa por nossos produtos não vai cair muito, mas demanda interna vai deixar de acelerar. Mas é preciso separar dois conceitos que são confundidos pelas próprias autoridades. Uma coisa é dizer, na qual eu concordo integralmente, que nós estamos do ponto de vista macroeconômico mais fortes que no passado. Isso quer dizer que dada a volatilidade, não tivemos explosão do dólar, da inflação. Isso é verdade e é ótimo.  Por outro lado, nós estamos mais plugados do que nunca na economia mundial. Nossa abertura é maior hoje em relação ao passado. Se a economia mundial desacelerar pouco, nós vamos desacelerar um pouco. Nós não vamos escapar. Por enquanto, nós dizemos que vai afetar mais a aceleração da demanda do que o nível da demanda no Brasil. Por enquanto, o efeito PIB vai estar muito mais concentrado nos EUA do que no resto do mundo. Agora se o efeito PIB para baixo for maior no resto do mundo, nós vamos absorver com certeza. Não tem como escapar. Se a queda no PIB dos EUA em 2008 for maior que um ponto porcentual, o cenário terá de ser revisto. E a reunião do Copom marcada para o início de setembro? O senhor acha que a Selic vai continuar caindo? O ministro Mantega falou que não terá aperto fiscal. Falar que não terá aperto fiscal eu acho um pouco temerário, pois pode precisar vir a ter. Se olharmos para o fim do ano e o meio do ano que vem, com segurança a Selic vai ser maior se não tivesse acontecido isso. Nós esperamos uma queda de 0,25 ponto porcentual na próxima reunião e depois a conferir. Depende do resto. Nós achamos que, muito provavelmente, a taxa Selic no fim do ano será maior do que seria se não tivesse ocorrido a crise. Nós projetávamos que a Selic estaria em dezembro em 10,5% ao ano e agora projetamos 11%. Será natural a partir de agora mais cautela, especialmente porque a projeção da inflação aumentou. A inflação vai superar a meta traçada de 4,5%?Não. Mas de qualquer forma é uma pena. Em março e abril, nós projetávamos 3,5% de IPCA para este ano com viés de baixa porque o dólar ficaria em R$ 1,80. Em maio, essa projeção mudou para 3,5% sem viés de baixa. Com essas pressões, mudamos as previsões para 3,7%. Para o ano que vem, estamos aumentando a projeção também, de 4% para 4,3%. Não é uma grande inflação. Uma das coisas que devem influenciar as reuniões do BC para decidir sobre os juros é o perfil do dólar. Se o dólar voltar, diminui a inflação e facilita o trabalho do BC. Essa faixa em torno de R$ 2 deve ficar por algum tempo porque o risco lá fora é relevante. Acho que dólar mudou de patamar. A busca por R$ 1,80 não cabe mais no horizonte previsível. O que empurrava o dólar para baixo eram os estrangeiros que vendia dólar para comprar papéis brasileiros e esse pessoal pegou a mala e foi embora. Quem ganhou com essa crise? No líquido, o exportador saiu ganhando. A queda maior de crescimento está prevista para os EUA. Mas as exportações para os EUA são as que estão indo mais devagar. A exportação está crescendo para outros destinos, onde a moeda se valorizou frente ao dólar e é possível manter uma rentabilidade melhor. Isso já está dado. Para o exportador padrão, 5% a mais no dólar é melhor porque serve para todos os destinos comparada à perda de 1 ponto porcentual de perda de crescimento dos EUA, que representam 18% das nossas exportações. Quem perdeu? O importador que vai pagar um pouco mais caro. O comércio está com receio de fechar as encomendas para o Natal. Os produtos de Natal são muito de época. Eles temem importar grandes volumes e de repente o dólar ficar mais caro e não ter o resultado que gostariam. E para as indústrias terá algum atraso nas encomendas? Acredito que não. Enquanto tiver incertezas, o que se pode ter é algumas decisões de investimento proteladas. Os projetos em andamento vão continuar. Aqueles investimentos direcionados para a produção de commodities também continuam porque a maior parte dos projetos tem a ver com as cadeias de commodities que serão as menos afetadas. Daqui a dois meses nós vamos ver se o impacto na economia americana será de um ponto ou será mais do que isso. O que fica de lição dessa crise? A primeira lição é lembrar que o ciclo econômico não foi abolido. Não é porque está bem hoje que ficará bem amanhã. A segunda coisa é que, como toda a bolha financeira, a grande lição é que sejam emprestadores, aplicadores, empresários, trabalhadores, todos os agentes econômicos têm que manter uma postura que relativamente cautelosa em relação às operações financeiras. Porque esse problema todo apareceu claramente por um excesso. Dinheiro demais produz bobagens. Dinheiro barato, muito barato por muito tempo produziu dimensões financeiras de operações onde risco ficou muito grande comparado com os custos, que se expressa nos spreads de risco. Está pagando a conta que concedeu ou tomou crédito demais em relação às suas possibilidades. O que é lamentável em relação ao crédito imobiliário americano é que quem mais vai sofrer serão os mais pobres. A maior parte da cliente dos empréstimos subprime são os mais pobres. No geral, a grande lição é que cautela financeira tem sempre que estar presente. E para o País? O ciclo de crescimento mundial vai mudar. De repente nós perdemos uma oportunidade que poderia ter sido melhor explorada, fazendo as reformas. Se as reformas tivessem sido feitas, nós seríamos um país mais competitivo. Por exemplo: com mais infra-estrutura, nós seríamos mais competitivo do que somos hoje. Fica mais fácil competir num mundo que está mais difícil. Com a carga tributária um pouco menor e mais decente, estaríamos investindo muito mais do que estamos investindo. A nossa estimativa é que estamos hoje investindo bem abaixo de 20% do PIB, que é pouco para um país sustentar um crescimento de longo prazo. Isso sim é uma perda. Nós não vemos o crescimento de hoje como sustentável nesse nível de 4,5% a 5% porque investimos pouco, temos um problema enorme de deterioração da infra-estrutura. Portanto, nós estamos ficando um país menos competitivo. O que nós não fizemos a mais nesses anos de bonança era tornar o país mais competitivo, e portanto, tornar o crescimento mais sustentável.

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