?Efeito manada? na venda de títulos brasileiros gera temor

Vários gestores de fundos de investimentos dedicados a mercados emergentes temem um efeito manada com o rebaixamento da dívida do Brasil pela Merrill Lynch - primeira grande instituição em Wall Street a reduzir a exposição "overweight" (peso acima da média) aos papéis da dívida brasileira. Desde o final do ano passado, quando os preços do C-Bond ? principais papéis da dívida brasileira ? e outros títulos brasileiros começaram a disparar em razão do movimento de busca de "yields" (prêmios) pelos investidores internacionais, investidores e bancos de Wall Street elevaram suas posições na dívida brasileira para "overweight".Quando teve início a forte correção das Treasuries (títulos do Tesouro norte-americano) em meados de junho passado, os investidores - liderados pelos "hedge funds" - foram mais ágeis e reduziram a alocação para a dívida do Brasil. Os papéis norte-americanos passaram a pagar taxas mais elevadas, provocando essa migração de recursos.Pontos negativosSegundo o gestor de fundos do Emerging Sovereign Group, Jaime Valdívia, há dois fatores que vão continuar pesando contra o Brasil. "Primeiro, as condições técnicas do mercado pioraram, com a queda no fluxo de capitais para os mercados de dívida de emergentes. O segundo ponto é que, com a queda no volume de fluxo de capital e com a perspectiva de forte queda da taxa Selic, deveremos ver uma tendência de depreciação mais forte do câmbio nas próximas semanas", explicou Valdívia, também citando um volume baixo no nível das reservas internacionais líquidas do Brasil. "Para agravar, temos o barulho político com as negociações mais difíceis para aprovação das reformas no Congresso", disse.

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