''Efeito vulcão'' trava expansão de voos internacionais

Demanda avançou 7,72% no mês de junho por conta de cancelamentos de voos, mas tendência é de recuperação em julho

Glauber Gonçalves, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2011 | 00h00

A série de cancelamentos de voos provocada pela dispersão das cinzas do vulcão chileno Puyehue derrubou o crescimento da demanda por transporte aéreo internacional nas rotas operadas por companhias brasileiras. Em junho, o avanço foi de 7,72% na comparação com igual período de 2010, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Para especialistas, não fosse o vulcão, a expansão teria sido de cerca de 15%.

O avanço das cinzas fez com que a TAM cancelasse 236 voos, dos quais 168 internacionais. Já na Gol, o número de cancelamentos chegou a 200, entre trechos nacionais e internacionais. Além das interrupções das operações na Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai, aeroportos da Região Sul do Brasil foram afetados. De acordo com a Infraero, em junho cerca de 10% das partidas e chegadas foram canceladas no País.

A demanda internacional ainda deve sentir algum efeito do vulcão este mês, embora o número de cancelamentos tenha sido menor do que em junho.

"Julho é um mês de crescimento por causa das férias. A demanda se recuperará em parte, pois, na dúvida se seria possível ou não viajar durante as férias, algumas pessoas cancelaram a viagem de vez", afirma o consultor Allemander Pereira.

Para fugir dos cancelamentos, alguns passageiros também podem ter trocado destinos atingidos pelas cinzas, como a Argentina, pelo Nordeste. Apesar disso, a cotação atrativa do dólar deve fazer com que o avanço da demanda internacional volte a atingir patamares mais altos em julho, podendo chegar a 20%, na avaliação de Pereira. Já no segmento doméstico, o crescimento foi de 19,54% em junho e de 21,39% no acumulado do primeiro semestre, confirmando a avaliação do setor de que a demanda avançará cerca de 20% no ano.

"O porcentual veio de acordo com o que o mercado esperava, porque vimos que a demanda já estava muito aquecida", disse a analista Rosângela Ribeiro, da corretora SLW. Ela ressaltou que o número de voos domésticos afetados pelo vulcão foi menor do que o de internacionais.

Os dados de junho mostram ainda que a soma da participação de Gol (37,13%) e Webjet (5,51%) superou a da TAM (41,68%) no segmento doméstico. No mês passado, as fatias das duas empresas eram inferiores à da TAM. Já a Azul, terceira colocada, tem 8,61% do mercado. Há 15 dias, a Gol anunciou acordo para comprar a Webjet em uma transação que, incluindo dívidas, chega a R$ 310,7 milhões.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.