Efeitos da crise ainda são sentidos por 59% das indústrias do País

Pesquisa da CNI indica que o porcentual chega a 63% nas pequenas empresas e[br]é de 46% nas grandes

Eduardo Rodrigues / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2010 | 00h00

Dois anos após o agravamento da crise global, 59% das indústrias brasileiras atingidas ainda sentem seus efeitos, de acordo com sondagem especial divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Entre as pequenas empresas, o porcentual chega a 63%, enquanto entre as grandes é de 46%. Foram entrevistadas 1.353 empresas entre 30 de junho e 20 de julho.

Para o gerente-executivo da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, apesar de os principais indicadores de atividade da indústria brasileira já estarem melhores do que os de setembro de 2009, a crise financeira internacional ainda não foi superada por todas as empresas do setor, sobretudo por aquelas que mais exportam.

"Olhando os indicadores, pode parecer que a crise é uma coisa do passado, mas ela ainda afeta um conjunto de empresas", afirmou Castelo Branco. Segundo o economista, mesmo com o crescimento do faturamento industrial nos últimos meses, caminhando para um recorde em 2010, a crise deixou sequelas.

Apesar de os indicadores industriais apontarem para um faturamento recorde na indústria em 2010, 74% dos 27 setores avaliados consideram que a crise ainda não foi superada. "O faturamento total no setor está 4% acima do verificado em setembro de 2008. Em condições normais estaríamos bem acima. Precisamos lembrar que os dados de faturamento e produção são a média de toda a indústria, mas ainda existem segmentos que não se recuperaram."

O documento também revela que 21% das empresas que cancelaram investimentos por causa da crise ainda não conseguiram retomá-los. Além disso, 27% voltaram a investir, mas em escala menor do que o planejado antes.

A sondagem mostra que 35% das indústrias afirmam que o acesso ao crédito continua mais difícil do que no período anterior à crise, e, para 24%, a inadimplência cresceu. Pelos dados apresentados, 51% das empresas exportadoras consideram que a demanda externa ainda está em nível inferior ao de 2008. Porém, 33% dos entrevistados veem uma demanda interna maior agora do que antes da crise.

Dificuldades

21 %

das empresas que cancelaram investimentos após a crise ainda não conseguiram retomá-los

27 %

voltaram a investir, mas em valores menores do que antes

51 %

das empresas afirmam que a demanda externa é menor agora do que antes da crise global

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